Nem todo blockbuster de herói nasce Marvel ou DC. Nos últimos 20 anos, diversas adaptações de HQs fora do circuito tradicional tentaram ganhar espaço, tropeçaram nas bilheterias e desapareceram dos radares.
O curioso é que muitas dessas obras guardam universos riquíssimos, perfeitos para ganhar novas versões em streaming ou no cinema. HeroesBrasil listou cinco casos emblemáticos que merecem uma segunda chance.
De Dredd a Valerian: a ficção científica que pede revanche
Judge Dredd chegou aos cinemas em 1995, estrelado por Sylvester Stallone, mas a decisão de tirar o capacete do personagem irritou os fãs e matou o tom satírico da HQ britânica. O reboot de 2012, com Karl Urban, foi fiel ao material de 2000 AD, manteve o elmo no lugar e recebeu elogios da crítica. Ainda assim, arrecadou apenas US$ 41 milhões para um orçamento de US$ 45 milhões, congelando qualquer conversa sobre sequência.
A Mega-City One de Dredd continua pronta para exploração, repleta de Wastelands radioativas e juízes sobrenaturais. Com a popularidade recente de produtos violentos, como a franquia Mortal Kombat — cujo segundo filme quebrou recorde no Rotten Tomatoes, conforme noticiamos aqui — não seria surpresa ver o justiceiro reassumir o cargo.
Outro exemplo é Valerian and the City of a Thousand Planets, de Luc Besson. Visualmente deslumbrante, o longa de 2017 gastou perto de US$ 180 milhões e não se pagou. Faltou química entre Dane DeHaan e Cara Delevingne, mas sobrou potencial: as aventuras temporais de Valérian e Laureline influenciaram Star Wars e poderiam render séries, animações e spin-offs se a próxima adaptação priorizar roteiro sólido antes dos efeitos.
Heavy Metal: animação adulta ainda busca espaço
Em 1981, a antologia animada Heavy Metal virou cult ao adaptar as histórias ousadas da revista homônima. Porém, o formato episódico impediu a criação de um universo coeso, algo que a sequência de 2000 piorou ao diluir a essência adulta em tramas genéricas.
Atualmente, a Range Media prepara um novo reboot da marca. Caso adote um modelo de antologia com diretores convidados — nos moldes de Love, Death & Robots — Heavy Metal pode se tornar destino premium para ficção científica +18, área ainda pouco explorada nos streamings gratuitos listados nesta matéria.
Imagem: Marco Vito Oddo
Espadas e feitiçaria: Conan continua vivo nas telonas
Conan the Barbarian, de 1982, consolidou Arnold Schwarzenegger e abriu caminho para o gênero fantasia. Mesmo respeitado, o longa não virou a megafranquia que os contos de Robert E. Howard permitiam. A continuação de 1984, mais “família”, esfriou o hype, e o reboot de 2011 enterrou o cimério por anos.
O cenário mudou quando Schwarzenegger confirmou retorno em King Conan, em desenvolvimento na 20th Century Studios. A fase de um rei envelhecido enfrentando reinos rivais soa ideal para séries derivadas, seguindo a tendência de universos expandidos que adicionam profundidade a personagens veteranos — algo semelhante ao que vimos com o Batmóvel em testes para The Batman Part II.
A Liga Extraordinária e o convite a um multiverso literário
The League of Extraordinary Gentlemen, de 2003, alterou tanto a graphic novel de Alan Moore que virou sinônimo de decepção. Ao transformar figuras complexas como Allan Quatermain e Capitão Nemo em heróis genéricos, o filme perdeu o charme de misturar literatura vitoriana com espionagem.
A Disney (via Hulu) chegou a anunciar um reboot em 2022, mas poucas novidades surgiram. Ainda assim, a base é irresistível: reunir ícones literários do século XIX num mesmo time abre caminho para um “multiverso” anterior ao conceito popularizado pela Marvel. Com roteiros que respeitem o subtexto original, a Liga pode render séries, prequels e até crossovers com outras obras de domínio público.
Vale a pena apostar de novo nesses filmes baseados em quadrinhos?
Os cinco casos mostram que um fracasso de bilheteria não significa falta de potencial. Quando o material de origem traz mundos ricos e personagens marcantes, basta o ajuste certo de tom, elenco e marketing para transformar decepções passadas em franquias bilionárias. Para públicos ávidos por animes, games, filmes e séries, novas tentativas seriam bem-vindas — e o mercado sabe disso.
