A batalha judicial da Nintendo segue a todo vapor e, segundo o balanço fiscal mais recente, custou caro. Em um único ano a gigante japonesa desembolsou quase 6,5 bilhões de ienes em despesas ligadas a ações na Justiça.
O número chama atenção porque o processo mais badalado, movido contra o estúdio Pocketpair por causa de Palworld, ainda não foi concluído. Há pistas de que a conta pode vir de outra frente igualmente delicada para a companhia.
Litígio bilionário pressiona lucros da Nintendo
O documento consolidado do ano fiscal encerrado em março de 2026 revela 6,414 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 41 milhões) gastos com litígios. A cifra representa 96% das chamadas “perdas extraordinárias” da empresa; o restante veio do descarte de ativos como equipamentos e imóveis.
Mesmo com novos sucessos de vendas no Switch, o valor impacta o resultado operacional. Para quem acompanha o mercado pela HeroesBrasil, vale lembrar que a Nintendo costuma provisionar custos legais, mas raramente deixa a conta chegar tão alto em apenas 12 meses.
Palworld segue na mira, mas não explica todo o prejuízo
O processo principal, aberto em setembro de 2024 no Tribunal Distrital de Tóquio, acusa o estúdio Pocketpair de violar patentes ligadas às mecânicas de captura de criaturas e troca de montaria em Palworld. Nintendo e The Pokémon Company pedem indenização e interrupção das vendas.
Dois anos depois, as partes continuam trocando petições. A defesa da Pocketpair tenta provar que não houve infração e, de quebra, questiona a validade dos registros da Nintendo. Como o caso permanece em andamento, analistas duvidam de que os US$ 41 milhões se refiram majoritariamente a Palworld.
Disputa com antigas patentes da BlackBerry pode ser a chave
Outro candidato a vilão das finanças é o processo aberto por Malikie Innovations e Key Patent Innovations, detentoras de patentes herdadas da BlackBerry. Elas alegaram que a família de consoles Switch infringia suas tecnologias. A ação começou também em setembro de 2024 e teria sido encerrada por meio de um acordo confidencial.
Imagem: Divulgação
Como a Nintendo estava na posição de ré nessa disputa, qualquer acerto envolveria valores consideráveis, explicando a rubrica “perda com litígios” no balanço. Diferente do imbróglio com Palworld, aqui o pagamento ocorreria de forma imediata, contaminando o resultado anual.
- Processo aberto: setembro de 2024
- Partes envolvidas: Malikie Innovations, Key Patent Innovations e Nintendo
- Natureza: suposta violação de patentes do antigo BlackBerry
- Situação: acordo confidencial e arquivamento dos procedimentos de revisão
Enquanto isso, outros players do mercado seguem em clima de festa, oferecendo bônus dentro dos jogos. A Blizzard, por exemplo, liberou um fim de semana de XP em dobro em Overwatch, contraste evidente com o clima tenso nos corredores jurídicos da Nintendo.
Entenda o que ainda está em jogo para Nintendo e Pocketpair
Se perder a ação contra Palworld, a Nintendo corre risco duplo: além de pagar indenização, pode ter algumas de suas patentes anuladas ou restritas, reduzindo poder de fogo em futuras disputas. Para a Pocketpair, uma derrota significaria possíveis royalties retroativos e limitação na expansão de Palworld — justamente quando a desenvolvedora prepara o spin-off Palworld: Palfarm.
No momento, não há calendário público de audiências finais ou previsão de acordo. Advogados de ambos os lados ainda discutem perícias técnicas que avaliam semelhanças entre os sistemas de captura usados em Palworld e na série Pokémon.
Vale a pena acompanhar o caso?
Sim. O desfecho pode redefinir fronteiras entre “inspiração” e cópia no mercado de games, além de influenciar quanto as grandes editoras estão dispostas a gastar para proteger suas criações.
