Quando pensamos na ficção científica dos anos 90, logo surgem clássicos como Cowboy Bebop ou Neon Genesis Evangelion. Porém, a mesma década também gerou títulos que viraram referência de tudo o que pode dar errado em um anime.
De tramas incompreensíveis a animações inacabadas, uma lista nada honrosa reúne os piores animes de ficção científica dos anos 90. HeroesBrasil mergulhou nesses projetos para entender onde eles tropeçaram.
Uma década nem tão dourada: panorama dos piores animes de ficção científica dos anos 90
A sequência de tropeços começou ainda em 1990 com Sol Bianca, OVA em dois volumes sobre cinco piratas espaciais. A nave que dá nome à trama exibe tecnologia avançada, mas a história fica cheia de furos, e até a química entre as protagonistas some no espaço profundo.
No ano seguinte, Psychic Wars apresentou premissa promissora — um cirurgião viajando 5 000 anos ao passado para deter demônios —, mas entregou animação pobre, cenas de violência gratuita e conteúdo sexual desconexo. O resultado é um filme que hoje parece punição autoimposta para quem ousar revisitar o VHS.
Enredos confusos e produção limitada marcaram títulos como Psychic Wars e D-1 Devastator
Lançado em 1992, D-1 Devastator tentou misturar corridas a 300 km/h, teletransporte e monstros biomecânicos. Mesmo com apenas dois episódios, o OVA consegue confundir: as legendas mal ajudam, as cenas se perdem em clichês e a objetificação das personagens femininas salta mais que qualquer Devastator.
A safra de 1993 trouxe Ambassador Magma, releitura sombria do mangá de Osamu Tezuka. O anime alongou conflitos desnecessariamente, alterou o visual dos vilões para algo quase demoníaco e cansou quem só queria ver o colosso dourado enfrentando o alien Goa.
Violência excessiva e clichês: Genocyber, Bio Hunter e Garzey’s Wing elevaram o desconforto
Genocyber (1994) se notabilizou pela gore extrema. O primeiro episódio ainda flerta com uma boa ideia — a fusão de irmãs psíquicas em uma arma biológica —, mas logo o OVA mergulha em vísceras, mutilação infantil e roteiro desconexo dividido em partes quase independentes.
Em 1995 foi a vez de Bio Hunter, longa de uma hora sobre dois biólogos que combatem um vírus demoníaco. A falta de contexto para vírus e protagonistas, somada à sexualização constante da violência contra mulheres, fez a produção envelhecer mal.
Imagem: Divulgação
Já Garzey’s Wing (1996) entrou para o folclore de “so bad it’s good”. Seu herói vive simultaneamente no mundo real e em Byston Well, trocando dicas de guerra por colar mágico. Personagens somem sem explicação, eventos surgem do nada e a animação é digna de rascunho.
Finais apressados e animação inacabada: Virgin Fleet, Virus Buster Serge e Gundress encerraram mal a era
Virus Buster Serge (1997) prometia ação high tech na Neo Hong Kong de 2097. Porém, em apenas 12 episódios, deixou pontas soltas, zero evolução de personagens e poses de mecha engessadas que destoavam da proposta futurista.
No ano seguinte, Virgin Fleet tentou vender o conceito de “energia da virgindade” para pilotar aeronaves em plena década de 30 alternativa. O ritmo entre comédia colegial e drama de guerra nunca se ajusta, e o subtexto sobre pureza feminina soa datado.
Fechando a década, Gundress (1999) entrou em cartaz com cenas de combate ainda em lápis, enquanto as passagens de nudez estavam totalmente prontas. Além da inconsistência visual, o áudio fora de sincronia e o roteiro raso sobre mercenárias em exoesqueletos sepultaram de vez qualquer chance de redenção.
Vale a pena assistir aos piores animes de ficção científica dos anos 90?
Para quem pesquisa a história do gênero ou deseja uma maratona de curiosidades da cultura pop, vale conferir um ou outro título com expectativas baixas. Caso contrário, é melhor investir o tempo nos sucessos da mesma década que ainda inspiram produções atuais.
