Uncharted 4: A Thief’s End completa dez anos em 2024, mas só agora vieram à tona detalhes de bastidores que mostram o quão diferente o jogo poderia ter sido. Um documentário independente publicado no YouTube reúne entrevistas e materiais de época para contar como a aventura final de Nathan Drake quase seguiu outro rumo.
Com 90 minutos de duração, a produção de Thekempy mergulha no caos que antecedeu o lançamento, passando por mudanças de roteiro, troca de direção e até ameaças de cancelamento. O resultado ajuda a entender por que o quarto capítulo foi um dos desenvolvimentos mais longos da história da Naughty Dog.
O documentário de Uncharted 4 expõe roteiro alternativo
Amy Hennig, diretora e roteirista dos três primeiros jogos, tinha planos ousados para Nathan Drake. Segundo o filme, a ideia original colocava o protagonista em uma trama mais sombria, com foco no sentimento de traição entre irmãos. O tom lembrava filmes de espionagem dos anos 1970, algo bem distante da vibe de aventura pulp que chegou às lojas em 2016.
Quando Hennig deixou o estúdio em 2014, Neil Druckmann e Bruce Straley assumiram o comando e optaram por um reboot completo. Muitas localidades, puzzles e sequências de ação foram riscados dos rascunhos. Até o famoso clímax em Libertalia, hoje lembrado pelo set-piece do navio pendurado, nasceu nessa segunda fase.
Crise interna quase afundou o projeto
Ex-funcionários relatam no documentário que a relação entre Naughty Dog e executivos da Sony ficou tensa. Gabriel Betancourt, que atuou como artista técnico, afirma que a publisher cogitou cancelar Uncharted 4 para conter custos. O título já havia estourado orçamentos anteriores e sofria atrasos sucessivos.
A troca de liderança ajudou a destravar o cronograma, mas trouxe um preço: crunch intenso, mudanças semanais e regravações constantes. A equipe precisou descartar meses de trabalho, refazendo sistemas de combate e mecânicas de exploração. O relato lembra casos recentes de turbulência em estúdios AAA, como o vazamento da build de Forza Horizon 6.
Elenco original tinha vozes bem diferentes
Uma das curiosidades mais comentadas é a escalação inicial de atores. Sam Drake seria interpretado por Todd Stashwick, substituído depois por Troy Baker — hoje praticamente sinônimo de personagens marcantes na Naughty Dog. Já o vilão Rafe Adler teria a voz de Alan Tudyk; quem ficou com o papel foi Warren Kole.
Imagem: Divulgação
O corte também cancelou o retorno de Charlie Cutter, comparado pelos fãs a Jason Statham. O britânico de Uncharted 3 seria peça-chave na trama de Hennig, mas acabou reduzido a breves menções no jogo final. Com rumores sobre Uncharted 5 ganhando força, crescem as apostas de que Cutter possa surgir novamente em alguma expansão ou sequência.
O que ficou de fora ainda influencia a franquia
Ainda que a versão final tenha sido aclamada, o material arquivado serve de inspiração para futuros projetos. O vídeo sugere que algumas ideias descartadas — como fases urbanas mais abertas — voltaram a aparecer nos storyboards internos da Sony.
Enquanto não há confirmação oficial de novos capítulos, a comunidade se diverte caçando segredos do desenvolvimento. O documentário de Uncharted 4 virou assunto em fóruns, no Reddit e até entre criadores de conteúdo que costumam divulgar códigos grátis de Roblox, caso de páginas dedicadas a jogos como Jujutsu Lineage.
Vale a pena assistir ao documentário?
Para fãs de bastidores e curiosos sobre a indústria, o filme de Thekempy oferece um retrato raro de como decisões de última hora podem mudar totalmente um game AAA. HeroesBrasil conferiu a produção e destaca a riqueza de depoimentos inéditos, imagens conceituais e comparativos de cenas que nunca chegaram ao disco. Mesmo quem já zerou Uncharted 4 várias vezes encontrará motivos para se surpreender.
