Existe uma velha máxima de que “o livro é sempre melhor que o filme”. Nem sempre. Algumas produções conseguem traduzir – e até aprimorar – mundos fantásticos ao trocar o papel pela tela grande.
Seja por efeitos visuais inovadores, trilhas marcantes ou ajustes de roteiro que deixam a trama mais ágil, certos títulos provaram que chegar aos cinemas pode elevar a história a outro patamar. A seguir, veja cinco filmes de fantasia melhores que o livro, segundo fãs e críticos.
Quando as cores falam mais alto: O Mágico de Oz (1939)
Publicado em 1900, o romance de L. Frank Baum já era querido, mas a versão dirigida por Victor Fleming ganhou vida própria. O uso revolucionário do Technicolor, a virada do preto-e-branco para tons vibrantes e números musicais inesquecíveis transformaram Dorothy, Totó e a estrada de tijolos amarelos em ícones pop.
O roteiro também fez alterações cruciais: criou motivações mais claras para cada personagem e adicionou um arco emocional que a obra original só sugeria. O resultado é uma experiência audiovisual capaz de cativar gerações, algo que o texto, por si só, não alcançou.
Animação que emociona: O Castelo Animado e Como Treinar o Seu Dragão
Lançado em 2004 pelo Studio Ghibli, O Castelo Animado adapta o livro de Diana Wynne Jones. A direção de Hayao Miyazaki amplia o romance entre Sophie e Howl, insere crítica à guerra e exibe cenários mágicos que só a animação tradicional poderia oferecer. A riqueza visual deixa o espectador imerso, enquanto a história ganha densidade política ausente no original.
Já Como Treinar o Seu Dragão (2010) pegou a série infantil de Cressida Cowell e a transformou em uma aventura para todas as idades. A DreamWorks trocou o tom cômico leve por camadas dramáticas, aprofundou o relacionamento entre Soluço e Banguela e injetou tensão genuína nas batalhas contra dragões. Não à toa, a franquia cresceu a ponto de inspirar séries, brinquedos e um futuro live-action.
Romance, sátira e aventura: A Princesa Prometida (1987)
O romance metalinguístico de William Goldman é inteligente, mas sua estrutura de “livro dentro do livro” pode afastar leitores casuais. A adaptação de Rob Reiner simplifica a narrativa, acelera o ritmo e dá vida a heróis – e vilões – com a ajuda de um elenco afiado.
Imagem: Amanda Mullen
Mandy Patinkin virou referência como Inigo Montoya, enquanto Cary Elwes e Robin Wright entregam química digna de contos de fadas. O humor permanece, porém mais direto, sustentando o filme como escolha recorrente em listas de melhores aventuras. Na dúvida, muitos fãs preferem rever o longa em vez de reler o texto.
A épica Terra-média: O Senhor dos Anéis (2001-2003)
Chamar a trilogia literária de J. R. R. Tolkien de obra-prima não é exagero. Mesmo assim, Peter Jackson conseguiu condensar milhares de páginas em três filmes de ritmo impecável. Cortou descrições longas, reorganizou eventos e manteve o coração da jornada de Frodo sem perder a grandiosidade.
O resultado são batalhas épicas, trilha de Howard Shore e efeitos práticos que ainda impressionam. As mudanças, como a ausência de Tom Bombadil, agilizam a trama sem sacrificar a mitologia. Por isso, muita gente coloca a versão cinematográfica na frente quando o assunto é filmes de fantasia melhores que o livro.
Vale a pena ler ou ver primeiro?
Para quem busca mergulhar em mundos mágicos, tanto leitura quanto cinema têm valor. Porém, se a ideia é sentir o impacto máximo dessas histórias, as versões para a tela podem ser a porta de entrada ideal. Afinal, foi graças a adaptações como O Castelo Animado que muita gente descobriu a obra literária original. O mesmo vale para fãs que, após se apaixonarem pelos filmes, correm atrás dos livros para ampliar o universo.
E, enquanto aguardamos novidades sobre outras adaptações – vide as fotos do Batmóvel na neve que agitaram The Batman Part II – o HeroesBrasil segue de olho em cada produção que promete repetir (ou superar) esse feito.
