Todo fã de sci-fi adora descobrir novas aventuras espaciais, mas nem sempre o gênero entrega o que promete. Quando a história engasga logo nos primeiros minutos, a sessão vira teste de paciência.
Para poupar seu tempo (ou satisfazer sua curiosidade), o HeroesBrasil reuniu sete filmes de ficção científica ruins que desperdiçam ideias promissoras do começo ao fim. Prepare o capacete: a viagem é turbulenta.
Blockbusters que naufragaram na própria ambição
Moonfall chegou aos cinemas prometendo destruição estilo catástrofe global: a Lua sai da órbita e ameaça a Terra. O problema é que o roteiro transforma explicações científicas em palavras soltas, exigindo que o público apenas aceite o absurdo. Nem Halle Berry nem Patrick Wilson conseguem salvar personagens feitos para levar o espectador de uma explosão gerada em CGI a outra. O resultado é um exemplar clássico de filmes de ficção científica ruins, cheio de solenidade sem coerência.
No mesmo pacote de ambição exagerada está Jupiter Ascending. Os irmãos Wachowski tentaram criar uma epopeia sobre dinastias interplanetárias, genética e lutas de poder. Entretanto, a enxurrada de regras muda a cada cena, e Mila Kunis acaba virando figurante da própria jornada. A estética é criativa, mas tudo acontece rápido demais para gerar vínculo. Mais um caso de conceito forte que vira ilustração de luxo para diálogos vazios.
Quando orçamento baixo não é desculpa
Décadas antes do streaming, Starcrash queria ser a resposta europeia a Star Wars. Caroline Munro até tem carisma como a contrabandista Stella Star, porém o filme ignora ritmo, geografia de cena e qualquer senso de construção de universo. As naves piscam como brinquedos, a montagem parece feita em correria e, diferente de um possível “cult trash”, falta energia para divertir.
Avançando para 2021, Cosmic Sin traz Bruce Willis enfrentando alienígenas em 2524. A premissa — um ataque preventivo para evitar guerra intergaláctica — até chama atenção, mas não há suspense, dilema moral ou visão estratégica. Tudo é resolvido com tiroteios genéricos e exposição sem peso dramático. Entre as produções recentes, é um lembrete de que efeitos digitais não mascaram personagem mal construído.
Comédias que perderam a graça no espaço
The Adventures of Pluto Nash tentava misturar humor e crime lunar em 2087. Eddie Murphy, lenda das comédias dos anos 80, parece deslocado em cenas sem punchline. A narrativa tropeça entre perseguições e piadas mornas, criando um limbo tonal: não é engraçado o suficiente para comédia nem empolgante o bastante para ação sci-fi.
Imagem: Catherine Delgado
Se Pluto Nash decepciona, Battlefield Earth virou lição histórica de como não adaptar literatura. A direção abusa de ângulos inclinados, John Travolta faz um vilão quase cartunesco e o texto se contradiz a cada sequência. Com cenários extravagantes e diálogos que beiram o involuntário, o longa conquistou fama de um dos piores filmes de ficção científica ruins de todos os tempos.
O caso Rebel Moon e o hype instantâneo
Rebel Moon, bancado por um serviço de streaming, chegou vendendo ares de “nova space opera”. Visualmente, Zack Snyder capricha em cenas pensadas para trailer, mas a trama sobre aldeões recrutando guerreiros para enfrentar um império é rasa. Personagens se resumem a arquétipos, e o ritmo lento contrasta com promessas de grandiosidade. Não por acaso o interesse na continuação esfriou rapidamente, algo que lembra o percurso de outros projetos midiáticos, como o recente impasse de Iron Lung para chegar ao streaming.
A tentativa de criar franquia também ressoa em tendências atuais de Hollywood, onde nomes de peso ganham liberdade total, mas nem sempre encontram roteiro sólido. Rebel Moon faz questão de parecer épico, porém esquece de contar uma boa história — ponto crucial que diferencia sucessos, como a recente prévia de The Odyssey, de fracassos instantâneos.
Vale a pena assistir mesmo assim?
Para quem coleciona experiências curiosas ou gosta de maratonar filmes de ficção científica ruins com amigos, essas produções podem render boas risadas, análises técnicas ou simplesmente servir de comparação com obras que acertam em cheio. Caso contrário, talvez seja melhor investir o tempo em títulos mais inspirados — ou, quem sabe, revisitar franquias consagradas que continuam relevantes.
