A Electronic Arts enfrenta uma nova pressão popular. Um coletivo de fãs e cosplayers anunciou uma manifestação presencial na sede da empresa, em Redwood City, para barrar a compra de US$ 55 bilhões proposta pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) e parceiros.
Batizado de Players Alliance HQ, o grupo pretende exibir um pergaminho de 50 pés com mais de 70 mil assinaturas, reforçando críticas à compra da EA e exigindo que o governo norte-americano não autorize o acordo.
Cosplayers invadem a sede com petição de 70 mil assinaturas
A marcha está marcada para 11 de maio, às 11h (horário do Pacífico), diretamente no campus da EA. Organizada por Players Alliance HQ, a manifestação quer transformar o icônico campo temático de Madden NFL em um palco de protesto. Ali, o grupo planeja desenrolar a petição gigante diante dos funcionários.
Integrantes confirmam que irão fantasiados de “vilões corporativos”, satirizando a própria infraestrutura da editora. A ideia é dramatizar, em pleno estacionamento, a desigualdade salarial que apontam dentro da desenvolvedora: segundo eles, o CEO Andrew Wilson recebe 260 vezes mais que o empregado médio, enquanto milhares de devs foram demitidos nos últimos anos.
O que está em jogo com a compra da EA
Anunciada em setembro de 2025, a proposta levaria a EA para o capital fechado. O consórcio comprador reúne o PIF, o fundo Affinity Partners — chefiado por Jared Kushner — e a gestora Silver Lake. O negócio ainda precisa do aval regulatório dos Estados Unidos e de outros mercados.
Críticos temem que o PIF passe a influenciar decisões criativas, implementar práticas de monetização mais agressivas e até acessar dados sensíveis de jogadores ao redor do mundo. A compra da EA também reascende o debate sobre concentração de poder no setor, algo que vem preocupando fãs de títulos como Battlefield, The Sims e FIFA.
Pressão política e apoio de criadores de conteúdo
O protesto dos cosplayers ganhou eco em transmissões de figuras conhecidas. O streamer SlayerKase confirmou presença presencial e promete cobertura ao vivo no Twitch. Do outro lado, a parceira da plataforma Zefrine transmitirá seu ponto de vista diretamente do local.
Imagem: Divulgação
Na esfera parlamentar, o deputado Maxwell Frost (D-FL) uniu-se a criadoras como Lilsimsie em uma live conjunta contra o acordo. Já no Senado, Elizabeth Warren (D-MA) e Richard Blumenthal (D-CT) levantaram preocupações de segurança nacional, argumentando que o PIF poderia usar a compra da EA como atalho para influência política.
Transmissões online e engajamento da comunidade gamer
Além de acompanhar as lives oficiais, a comunidade planeja mobilizações paralelas. Grupos em Roblox, por exemplo, discutem o tema aproveitando códigos de Unbox a Factory para levantar fundos virtuais e divulgar a causa. A coincidência com o nome da cidade californiana inspirou piadas sobre o indie gratuito Don’t Stop in Red Wood, mas o protesto promete ser tudo, menos ficção.
Para o leitor que acompanha notícias aqui no HeroesBrasil, vale ficar de olho nas redes sociais e nos canais ao vivo. Se o acordo avançar, ele pode redefinir estratégias de monetização e o futuro de franquias queridas — situação que lembra o receio do mercado quando o CEO da Take-Two admitiu estar “apavorado” com a estreia de GTA 6.
Vale a pena acompanhar?
Mesmo que a manifestação não interrompa formalmente a compra da EA, o ato deve pressionar reguladores, chamar atenção para o debate sobre ética na indústria e expor práticas corporativas questionadas pelos jogadores.
