KPop Demon Hunters conquistou o topo do ranking da Netflix e, ao que tudo indica, a aventura musical veio para ficar. Bastaram poucos dias para a produção ganhar status de fenômeno global, colecionar prêmios e garantir uma continuação.
Mesmo com números estrondosos, o longa tem furos que incomodam os espectadores mais atentos. A seguir, o HeroesBrasil detalha os cinco maiores buracos de roteiro que devem ser solucionados no próximo filme.
A barreira Honmoon mostra fraquezas logo de cara
Nos primeiros minutos da animação, o Honmoon é apresentado como um escudo místico alimentado por música e laços de amizade. Em tese, ele impediria qualquer demônio de atravessar para o nosso mundo. Porém, o espectador logo vê a boy band Saja Boys driblando a proteção sem dificuldades, algo que exige um poder que, teoricamente, eles não possuíam naquele momento.
Além disso, uma quantidade considerável de criaturas aparece antes mesmo de o enredo sugerir rachaduras sérias no escudo. A sequência deixa a impressão de que o Honmoon já estava frágil sem justificativa clara, derrubando a tensão que o conceito deveria sustentar.
Motivações de Gwi-Ma carecem de profundidade
Vilão principal da história, Gwi-Ma governa o reino demoníaco e deseja derrubar a barreira entre dimensões. O roteiro afirma que ele se tornaria mais poderoso ao absorver energia humana, mas não explica por que essa ambição é tão urgente. O personagem acaba parecendo bidimensional, sem passado ou desejos que o tornem mais que um antagonista genérico.
Na prática, o foco recai sobre os lacaios do demônio, deixando o chefão distante e pouco ameaçador. A continuação tem a chance de mergulhar no passado de Gwi-Ma e mostrar o que ele realmente pretende fazer com sua nova supremacia.
Segredo de Rumi passa batido pelas amigas
Rumi convive diariamente com Mira e Zoey durante turnês, ensaios e descansos, mas consegue esconder que é meio-demônio até o primeiro ato do filme. Considerando que suas marcas aparecem em momentos de estresse, é difícil acreditar que as colegas nunca tenham percebido nada em anos de convivência intensa.
A revelação tardia também levanta outra questão: caso o trio compartilhe um laço tão forte, por que a própria barreira mística, nutrida por conexões, não foi enfraquecida antes? A contradição atrapalha a coerência interna da história.
Imagem: Amanda Mullen
Apenas três caçadoras para proteger o planeta inteiro?
Mira, Zoey e Rumi formam um time poderoso, mas a trama não explica se existem outras equipes espalhadas pelo mundo ou se a atividade demoníaca se limita à Coreia do Sul. Se as criaturas surgem em diferentes pontos do globo, confiar a defesa da humanidade a um trio parece inviável.
Fica no ar também como essas jovens foram escolhidas para a missão. Falta um sistema de recrutamento ou um órgão regulador, algo que outros universos de fantasia — como a já anunciada reunião dos Defensores no MCU — costumam apresentar para dar verossimilhança ao combate ao sobrenatural.
Demônios ora são malignos absolutos, ora vítimas trágicas
O longa começa pintando as criaturas como ameaças que precisam ser eliminadas sem piedade. No entanto, rapidamente o público descobre que alguns demônios são ex-humanos com resquícios de bondade, caso de Jinu e até dos Saja Boys. Essa mudança de tom não se resolve por completo: a narrativa tenta gerar empatia, mas continua tratando esses personagens como irrecuperáveis.
O resultado é uma mensagem confusa sobre redenção. Se existe a possibilidade de salvação, por que não tentar? Caso não exista, por que apresentar tais nuances? É um dilema que o segundo filme precisará enfrentar para manter coesão.
Vale a pena assistir KPop Demon Hunters?
Apesar das lacunas, KPop Demon Hunters equilibra música contagiante, ação estilosa e personagens carismáticos, rendendo boa diversão para fãs de anime, games e cultura pop em geral. Quem curte produções vibrantes encontrará motivos de sobra para dar o play e, claro, teorizar sobre como a sequência solucionará essas pendências.
