Um dos nomes que ajudaram a colocar Killzone e Horizon no mapa está de volta aos holofotes. Arjan Brussee, cofundador da Guerrilla Games, revelou que trabalha em um novo motor gráfico totalmente europeu. Batizado de Immense Engine, o projeto nasce com a missão declarada de ser uma alternativa europeia ao Unreal Engine.
Brussee apresentou a iniciativa em um episódio recente do podcast holandês De Technoloog, destacando que a plataforma virá de fábrica com módulos de inteligência artificial. A aposta é ousada e pode reposicionar o continente no epicentro do desenvolvimento de tecnologia para jogos.
Trajetória do criador do Immense Engine
Veterano da cena gamer desde os anos 1990, Arjan Brussee começou como programador na série Jazz Jackrabbit, publicada pela então jovem Epic. Em 2003, fundou a Guerrilla Games em Amsterdã, onde atuou como produtor executivo e diretor de operações por quase uma década, até a compra do estúdio pela Sony em 2005.
Depois disso, o executivo passou por Electronic Arts, chefiou a extinta Boss Key Productions e retornou à Epic Games em 2017. Foram mais de oito anos na companhia de Fortnite, ocupando cargos como head de mobile e diretor técnico. Experiência, portanto, não falta para tentar lançar uma alternativa europeia ao Unreal Engine.
O que promete o Immense Engine
O Immense Engine foi descrito como uma plataforma modular, construída do zero para acomodar agentes de IA. Em vez de depender de ferramentas manuais, o motor oferecerá blocos independentes que podem ser plugados ou removidos conforme a tecnologia avança. A ideia é possibilitar atualizações rápidas sem quebrar o ecossistema.
Para Brussee, a ascensão da IA generativa cria o momento perfeito para repensar toda a arquitetura de um motor gráfico. Segundo ele, isso pode reduzir o tempo de produção e permitir que estúdios médios alcancem resultados de alto nível, algo parecido com o que novas práticas de nuvem já proporcionam a muitos devs indies.
Hospedagem na nuvem europeia e foco em compliance
Outro pilar do motor é a hospedagem 100% em servidores europeus, garantindo conformidade com as rígidas leis de dados da União Europeia. Essa característica pode atrair empresas que lidam com simulações para logística ou defesa, segmentos citados pelo criador, além de estúdios de games do bloco econômico.
Imagem: Epic Games
Vale lembrar que questões de soberania digital ganharam força nos últimos anos. Enquanto isso, engines populares costumam manter parte da infraestrutura nos Estados Unidos ou na Ásia. Ao concentrar tudo no continente, o Immense Engine tenta abrir vantagem competitiva – movimento semelhante ao que ocorreu quando a Unity mudou-se de Copenhague para San Francisco em 2009.
Repercussão no mercado e próximos passos
A indústria acompanha de perto iniciativas que integrem IA no core de produção. Casos como o recente bug da montaria em Llama de Fortnite mostram como atualizações constantes podem trazer dores de cabeça, reforçando o apelo por pipelines mais flexíveis.
Apesar do entusiasmo, Brussee não divulgou cronograma de lançamento. Motores gráficos levam anos de refinamento, e a alternativa europeia ao Unreal Engine ainda busca financiamento adicional. Rumores apontam que fundos de inovação da UE poderiam apoiar a empreitada, mas nenhuma negociação foi confirmada.
Enquanto isso, desenvolvedores europeus discutem novas opções em fóruns e redes sociais. No HeroesBrasil, leitores que acompanham os bastidores de estúdios também comentam a sindicalização de equipes, como no caso dos funcionários da Double Fine, e veem no Immense Engine mais um passo para equilibrar forças entre mercados regionais.
Vale a pena ficar de olho?
Sem data oficial, o Immense Engine ainda é promessa, mas a combinação de IA nativa, nuvem europeia e a experiência de Arjan Brussee já desperta a curiosidade de quem procura uma real alternativa europeia ao Unreal Engine.
