Em maio de 1999, o cinema comercial ganhou um fôlego inesperado quando Brendan Fraser enfrentou uma maldição milenar em A Múmia. A mistura de aventura, humor e sustos atraiu multidões e deu origem a uma tendência que dominou Hollywood no início dos anos 2000.
Cinco anos depois, em 7 de maio de 2004, o mesmo diretor levou Van Helsing às telas na tentativa de repetir a fórmula. O resultado aquém das expectativas selou o destino do chamado terror de ação, subgênero que unia pancadaria de blockbuster a elementos clássicos de horror.
Brendan Fraser e o início do boom do terror de ação em 1999
Lançado em 7 de maio de 1999 com orçamento de US$ 80 milhões, A Múmia arrecadou robustos US$ 422 milhões mundialmente. O público abraçou a proposta PG-13 de sustos moderados, efeitos práticos e set pieces cheios de adrenalina.
Mesmo recebendo críticas mistas na estreia, o título virou cult com o passar do tempo. A força da marca ainda hoje rende frutos; não à toa, já existe um novo capítulo previsto para 2027, conforme detalhado em notícia recente.
Sequência de lançamentos: fantasia, monstros e muita pólvora
O sucesso imediato abriu espaço para uma leva de produções com estética semelhante. Entre 2000 e 2003 chegaram aos cinemas Thirteen Ghosts, Ghosts of Mars, House of the Dead, Doom e a franquia Resident Evil, baseada na popular série de games. Todas apostavam na mesma combinação de criaturas sobrenaturais, armas de fogo e toneladas de CGI.
Alguns títulos, como Blade II e Constantine, mostraram que o terror de ação podia conquistar crítica e público sem abandonar o selo PG-13. Outros, a exemplo de Underworld, ganharam sequência, quadrinhos e até jogos derivados, reforçando a ponte entre cinema e cultura gamer.
O tropeço de Van Helsing e o fim precoce da tendência
Em 7 de maio de 2004, também sob direção de Stephen Sommers, Van Helsing chegou com promessa de reunir os monstros clássicos da Universal em clima de superprodução. O filme custou cerca de US$ 160 milhões, mas faturou apenas US$ 300 milhões, margem considerada baixa para os padrões do estúdio.
Imagem: Cathal Gunning
A recepção morna, somada à saturação do formato, contribuiu para enterrar grandes orçamentos voltados ao terror de ação. Paralelamente, títulos adultos como O Chamado (2002) e Jogos Mortais (2004) empurraram o gênero para narrativas mais sombrias e violentas, retomando a classificação indicativa R.
Mudança de rota: J-horror, torture porn e o retorno dos slashers
Depois de 2004, Hollywood investiu pesado em remakes de terror japonês e no chamado torture porn, corrente encabeçada por Jogos Mortais e O Albergue. Filmes como Eu Sou a Lenda (2007) conseguiram manter a pegada PG-13, mas foram exceções em um mercado cheio de fantasmas vingativos e armadilhas sangrentas.
Nos últimos anos da década, os slashers ressurgiram, enquanto sagas de super-heróis abriram outra frente de bilheteria. O terror de ação, por sua vez, migrou para projetos menores ou reapareceu em games, como a continuação cinematográfica de Mortal Kombat, que promete superar o primeiro longa já no fim de semana de estreia, segundo dados preliminares.
O legado do terror de ação: ainda vale a pena revisitar?
Mesmo com vida curta, o ciclo iniciado por A Múmia deixou marcas na cultura pop. O humor despretensioso, as cenas de luta bem coreografadas e os elementos de fantasia continuam inspirando novas produções. Para o público do HeroesBrasil, é um convite perfeito para revisitar — ou descobrir — uma fase única em que horror, aventura e diversão dividiram o mesmo sarcófago.
