Nas últimas semanas, a plataforma Paramount+ recebeu um reforço inusitado em seu catálogo: Cool World, longa de 1992 que detém o título de pior filme da carreira de Brad Pitt segundo a crítica. Com apenas 4% de aprovação no Rotten Tomatoes, a mistura de live-action e animação voltou aos holofotes trinta anos depois do lançamento original.
Mesmo carregando o rótulo de “bomba” desde a estreia, o longa dirigido por Ralph Bakshi acabou ganhando fãs ao longo do tempo. A chegada ao streaming reacende o debate sobre como um tropeço de bilheteria pode, aos poucos, virar culto obrigatório para quem curte animação experimental.
Cool World: o fiasco crítico de Brad Pitt volta aos holofotes
Lançado em julho de 1992, Cool World foi vendido como uma alternativa mais adulta a Who Framed Roger Rabbit. Na trama, Brad Pitt interpreta o detetive Frank Harris, humano encarregado de vigiar a fronteira entre o nosso mundo e uma dimensão habitada por desenhos. O caos começa quando o cartunista Jack Deebs (Gabriel Byrne) é seduzido pela fatal Holly Would, que deseja se tornar humana a qualquer preço.
O conceito audacioso, porém, esbarrou em um roteiro confuso e em mudanças de última hora. Críticos da época classificaram o longa como “incoerente” e “barulhento”, resultando em notas historicamente baixas. No Rotten Tomatoes, o filme empacou nos 4% entre especialistas e em 31% com o público, marcas que o colocam no fundo da filmografia de Pitt.
Da bilheteria ao Rotten Tomatoes: números que explicam o fracasso
Com orçamento de 28 milhões de dólares, Cool World faturou apenas 14 milhões no mercado norte-americano, configurando um prejuízo significativo. Até hoje, figura entre as menores arrecadações do astro vencedor do Oscar. O desempenho fraco se repetiu fora dos Estados Unidos, impedindo qualquer chance de recuperação financeira.
Além das cifras, o filme também amarga posições modestas em métricas populares. No Popcornmeter, ferramenta que mede recepção do público, Cool World aparece como o sexto pior projeto de Pitt. Ainda assim, o longa encontrou espaço entre apreciadores de obras que, como alguns filmes de ficção científica que dividiram opiniões, foram resgatadas com o tempo.
Trilha sonora sombria e visual psicodélico renderam status cult
Se o enredo foi alvo de críticas, o design de produção chamou atenção por seu estilo caótico e neon, típico de Ralph Bakshi. O cineasta, veterano em animações adultas, misturou técnicas tradicionais com recortes de colagens, criando uma estética alucinógena que antecedeu tendências vistas em videoclipes dos anos 90.
Imagem: Allis Schter
A trilha sonora também contribuiu para a aura underground. Com faixas de Moby e do grupo Ministry, o álbum se alinhou à cena industrial que ganhava força na época. Esses elementos ajudaram o longa a conquistar novos espectadores, sobretudo aqueles que hoje maratonam produções como KPop Demon Hunters, animação que, segundo o HeroesBrasil, caminha para recordes na Netflix.
Paramount+ amplia catálogo com clássicos dos anos 90
A novidade não veio sozinha. Na mesma leva de abril, o serviço disponibilizou Catch Me If You Can, Galaxy Quest e The Social Network. Já maio começou com Face/Off, Rules of Engagement e The Hunt for Red October, dando fôlego extra aos fãs de ação e suspense.
No calendário de séries, o spin-off Dutton Ranch, ambientado no universo Yellowstone, estreia em 15 de maio, enquanto Criminal Minds: Evolution volta em 28 de maio. A plataforma ainda prepara o lançamento de Mortal Kombat II para cinema, cuja trama deve ressuscitar personagens – assunto já comentado pelo roteirista em entrevista sobre como Kano e Kung Lao ressurgem no novo filme.
Cool World vale a maratona?
Para quem tem curiosidade sobre animações experimentais e quer conferir o ponto mais baixo – e mais curioso – da carreira de Brad Pitt, Cool World é pedida certeira. A produção pode até não entregar coesão, mas oferece estética única, trilha marcante e a chance de revisitar um momento ousado (e caótico) do cinema dos anos 90.
