Him saiu dos holofotes quase tão rápido quanto entrou neles. Lançado nos cinemas no fim do ano passado, o longa esportivo de terror custou US$ 27 milhões e arrecadou apenas US$ 27,8 milhões no mundo todo, um desempenho que o colocou na corda bamba.
Agora, poucos meses depois, o filme de terror Him encontra um novo público no streaming: na semana de 20 a 26 de abril, chegou à sétima posição entre os filmes mais vistos da Netflix nos Estados Unidos, logo atrás do também inédito Thrash. A reviravolta reforça como o catálogo digital pode transformar derrotas de bilheteria em sucessos domésticos.
Como Him entrou no Top 10 da Netflix
O ponto de virada aconteceu em 19 de abril, data em que o longa foi incluído na plataforma. Títulos recém-adicionados costumam atrair a curiosidade do assinante, sedento por novidades. Foi assim com KPop Demon Hunters, animação que flerta com recordes de permanência no ranking, e agora com o terror esportivo de Jordan Peele.
Outro fator decisivo é a barreira de entrada quase nula: em vez de comprar ingresso e encarar trânsito, basta apertar play no sofá. Para um título que amarga 31 % de aprovação da crítica e 56 % do público no Rotten Tomatoes, o risco parece menor quando o investimento é apenas alguns minutos de atenção.
Mistura de terror e futebol americano atrai público doméstico
O roteiro acompanha um jovem astro universitário obcecado por se tornar o próximo grande quarterback, papel aconselhado por Marlon Wayans, veterano que surpreende em tom mais sério. A ambientação no universo do futebol americano dialoga diretamente com a base de assinantes dos EUA, país onde a NFL reina absoluta.
Coincidência ou não, a estreia no streaming ocorreu poucos dias antes do Draft da liga, em 23 de abril. Muitos fãs provavelmente buscaram algo temático para entrar no clima do evento, e o filme de terror Him ocupou esse espaço. A fórmula de terror psicológico misturado a esporte segue a tendência de obras que exploram gêneros híbridos, como o recente Monkey Man, também produzido por Peele.
Críticas negativas não impedem a curiosidade do espectador
Apesar da recepção morna, o longa exibe estilo visual marcante e alguns sustos eficientes, qualidades suficientes para fisgar quem procura algo diferente. No streaming, a barreira da má reputação pesa menos: é comum ver produções mal avaliadas ganharem tração simplesmente por estarem à mão.
Imagem: Chris Agar
Esse efeito já foi visto em ficções científicas controversas que depois viraram cult, caso de títulos listados em quatro filmes que dividiram opiniões, mas se tornaram obras-primas. Com Him, o mesmo fenômeno se repete de maneira acelerada.
Jordan Peele amplia catálogo como produtor
Desde Corra!, o nome de Peele virou sinônimo de terror social. Mesmo sem assinar a direção aqui, sua participação como produtor ajuda a vender o pacote. Candyman (2021) e Monkey Man (2024) seguiram o mesmo caminho, consolidando a marca Peele como selo de confiança para quem curte sustos com comentários sociais.
Para a Netflix, ter um título associado ao cineasta fortalece o catálogo de horror, segmento que continua rendendo boas estatísticas de engajamento. E, para o público brasileiro que acompanha tudo pelo HeroesBrasil, fica o lembrete: cedo ou tarde, a plataforma nacional também deve receber o longa.
Vale a pena assistir ao filme de terror Him?
Se você curte histórias sobre obsessão esportiva, terror psicológico e quer conferir uma performance diferente de Marlon Wayans, Him rende uma sessão curiosa. Vá sem grandes expectativas, mas disposto a ver como uma ideia ousada pode sair dos trilhos — e, ainda assim, divertir.
