Os anos 2020 consolidaram a ficção científica como um dos gêneros mais populares do cinema e das plataformas de streaming. Grandes franquias como o MCU, Star Wars e Avatar continuam dominando a cultura popular. Além de oferecer efeitos visuais de ponta, o gênero também explora conceitos complexos, criaturas inovadoras e críticas sociais atuais. Filmes como Dune e obras iniciais como Everything Everywhere All at Once mostram a diversidade da ficção científica na década.
Por outro lado, nem tudo que foi lançado nesse período conseguiu se sustentar ao longo do tempo. Alguns títulos parecem ter envelhecido de forma ruim, principalmente por previsões exageradas ou representações que não se mantêm atuais. A seguir, apresentamos quatro filmes de ficção científica lançados na década de 2020 que já aparentam estar bastante desgastados. Esses títulos reforçam como algumas produções deixam a desejar ao tentar imaginar o futuro ou comentar o presente.
Os filmes de ficção científica dos anos 2020 que envelheceram mal
Entre as obras que não resistiram ao teste do tempo, um destaque é o filme Afraid. Lançado em 2024 pela Blumhouse Productions, a história aborda uma família que adquire uma assistente digital chamada AIA. A ideia era explorar os perigos do avanço da inteligência artificial e de sua manipulação. Contudo, o resultado foi uma produção que, mesmo com potencial de previsão, entregou uma narrativa mal executada, que não conseguiu manter o impacto ao longo do tempo.
Afraid poderia ter sido uma visão revolucionária do que está por vir na IA, mas fracassou na sua execução, apresentando uma representação rasa da psicose das inteligências artificiais. Agora, poucos anos após o lançamento, a sensação que fica ao revisitar o filme é que ele serve mais como um lembrete do risco real dessas tecnologias do que uma obra divertida ou inteligente. A distância temporal só reforça sua má qualidade, tornando a experiência do espectador mais desconfortável do que interessante.
Franquias que prometeram o futuro, mas decepcionaram
Outro título que mostra como alguns filmes dos anos 2020 envelheceram mal é Ant-Man and the Wasp: Quantumania. Essa produção trouxe o universo dos quadrinhos para o cinema com foco intensificado na mecânica quântica e na teoria do multiverso, temas caros aos fãs de ficção científica. A presença do vilão Kang, interpretado por Jonathan Majors, foi um grande destaque, pois pretendia criar uma conexão mais profunda com o futuro do universo Marvel.
Porém, a saída de Majors do papel de Kang e o apagamento dessa história mudaram o rumo do filme. Sua narrativa, que seria uma peça fundamental na saga do multiverso, acabou se tornando uma decepção e praticamente descartável. O filme perdeu força e relevância, e muitas pessoas preferem nem revisitá-lo, já que desafios de produção e mudanças na história apagaram seus principais méritos. Isso mostra como uma produção de ficção científica pode envelhecer mal quando seus planos a longo prazo são alterados.
Sátiras que perderam força na era das redes
O sucesso de Dont Look Up na Netflix, lançado em 2021, marcou uma das sátiras mais comentadas do cinema recente. O filme aborda a descoberta de um cometa que ameaça destruir a Terra e a tentativa de cientistas de alertar o mundo sobre a catástrofe. A obra usa o humor ácido para criticar a negligência de governos e da sociedade frente às mudanças climáticas e problemas ambientais, tendo um elenco estelar com Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence.
Contudo, o tempo mostrou que essa abordagem satírica nem sempre envelhece bem, especialmente na comparação com obras como Digger, um filme lançado em 2026. Este título funciona como uma espécie de resposta ao filme da Netflix, questionando sua eficácia na luta por mudanças sociais reais. As cenas do filme de 2026 muitas vezes parecem uma paródia direta de Dont Look Up, demonstrando que a sátira que não evolui com o cenário social pode se tornar superficial ou até contraproducente.
Filmes que parecem pior com o passar dos anos
Por fim, o fenômeno negativo mais evidente na ficção científica da década é o filme Morbius. Lançado em 2022, ele representa a segunda parcela do universo do Homem-Aranha da Sony e acabou se destacando pelo seu sucesso entre produções ruins. O longa traz Jared Leto como o vilão que, reimaginado como um herói, acaba se tornando um desastre de roteiro e execução.
Com o passar do tempo, sua piora fica ainda mais clara. O ponto mais citado é a cena pós-créditos, que liga o personagem ao universo do Homem-Aranha, preparando uma conexão que foi posteriormente descartada devido às mudanças internas na Sony. Além disso, as polêmicas envolvendo Leto prejudicaram ainda mais sua performance e a recepção geral do filme, tornando-o um exemplo clássico de como um título de ficção científica pode ficar ainda mais desgastado com o tempo.
Vale a pena assistir esses filmes?
Para os fãs de cultura pop e animes, é importante lembrar que algumas obras retiradas dessa lista ainda podem ter valor como curiosidade ou estudo de tendências. No entanto, se você busca produções que resistiram ao tempo ou que ainda apresentam qualidade, esses títulos definitivamente não estão entre as melhores opções. Na hora de saber se vale a pena conferir algum deles, o ideal é analisar o que o que de fato deseja encontrar: entretenimento, inovação ou uma boa reflexão sobre o futuro.
Imagem: Clay Pitman
