Uma das primeiras missões de James Gunn à frente da DC Studios foi reconstruir o universo de super-heróis nos cinemas e na TV. Para isso, o diretor precisou romper com vários conceitos estabelecidos por Zack Snyder desde Man of Steel (2013).
A seguir, veja quais seis regras de Zack Snyder já foram quebradas e como essas mudanças pavimentam o caminho do novo DCU, que estreia em 2025 com Superman estrelado por David Corenswet.
Heróis menos deuses, mais humanos
Snyder retratava Clark Kent como uma figura messiânica, repleta de simbologia religiosa. Gunn prefere um Superman que erra, sorri e faz piada com a própria capa. A fala divulgada pelo estúdio — “Eu amo, eu sinto medo, e isso me torna humano” — resume o novo tom.
O mesmo vale para outros personagens. Em vez de divindades inatingíveis, os heróis do primeiro capítulo “Gods and Monsters” se aproximam de arquétipos gregos: poderosos, porém falhos. Inclusive, o roteirista já sugeriu que planetas de sol vermelho podem se tornar a maior fraqueza do herói kriptoniano, como detalhado em reportagem recente.
Paleta vibrante substitui o cinza
Desaturação e alto contraste marcavam a fotografia dos longas de Snyder. Gunn troca o filtro sombrio por cores primárias extraídas direto das HQs. O próprio uniforme azul do novo Superman aparece mais vivo em imagens vazadas do set.
Essa estética reflete um mundo que convive com metahumanos há séculos. A ideia é que a sociedade já se acostumou a criaturas sobre-humanas, dispensando o visual ultra-realista. Quem acompanhou o trailer de Avengers: Doomsday notou tendência parecida no concorrente, indicando que cores fortes voltaram à moda no cinema de heróis.
Roteiros mais enxutos e multiplataforma
Snyder ficou famoso pelo corte de quatro horas de Justice League. Gunn caminha no sentido oposto: o novo Superman terá 2h09, tempo próximo ao padrão dos blockbusters atuais. Rumores apontam que o filme da Supergirl pode ficar abaixo de duas horas, tornando-se o aventureiro mais curto da franquia desde Birds of Prey.
Imagem: Divulgação
Outra ruptura envolve formato. O antigo DCEU limitava-se quase exclusivamente aos cinemas, com exceção de Peacemaker. Agora séries como Lanterns e animações interligadas formam um mosaico narrativo unificado. A estratégia segue o modelo estabelecido pelo streaming na última década, garantindo presença constante da marca DC em diferentes telas.
Universo compartilhado sem estilo único
Até filmes que Snyder não dirigiu — caso de Aquaman — carregavam sua identidade visual. Gunn rejeita qualquer “padrão de fábrica”. Em entrevista à CBS, afirmou que cada diretor imprimirá sua personalidade no DCU. Já em 2026 chegam projetos que ele nem roteirizou: Supergirl, Lanterns e Clayface.
Essa filosofia também descentraliza a trama. Séries comandadas por outros criadores ganharão importância igual ou maior que longas-metragem. O mistério principal de Lanterns, por exemplo, servirá de base para conexões futuras — estratégia semelhante à adotada por HeroesBrasil ao integrar notícias de animes, games e quadrinhos num mesmo hub.
Vale a pena acompanhar o novo DCU?
Para quem se cansou do clima sisudo que marcou a era Snyder, as novidades trazem frescor. Com heróis mais próximos do público, uma paleta vibrante e histórias distribuídas entre cinema, streaming e animação, o DCU promete maior acessibilidade. Resta ao público decidir se as mudanças justificam o abandono dos antigos pilares, mas uma coisa é certa: a fase comandada por James Gunn não olha para trás.
