Controlador de acessibilidade flagrado pelo sistema anti-cheat de Call of Duty
Um streamer com deficiência física foi vítima de uma suspensão temporária nas partidas online de Call of Duty após o sistema anti-cheat RICOCHET da Activision identificá-lo usando um controle adaptativo. A ação gerou repercussão na comunidade, uma vez que o usuário buscou contato com a desenvolvedora para esclarecer a situação.
O controle em questão, chamado QuadStick, é um dispositivo oral que permite ao usuário com mobilidade reduzida jogar, ativando comandos por meio de movimentos na boca e ações no queixo. Apesar de ser uma ferramenta de acessibilidade, o sistema identificou-o como uma possível modificação de input por terceiros, levando ao banimento.
Apesar do grande avanço na detecção de trapaças, a situação evidencia que a tecnologia de combate a fraudes ainda necessita de ajustes específicos para identificar corretamente acessórios de acessibilidade. Essa dificuldade é uma preocupação constante, especialmente com o crescimento do uso de dispositivos adaptativos.
O impacto do sistema anti-cheat em usuários com necessidades especiais
O sistema RICOCHET foi atualizado em agosto de 2025, incluindo requisitos que obrigam os jogadores de PC a ativar TPM 2.0 e Secure Boot nas configurações do BIOS, condições que acabam por facilitar a identificação de dispositivos considerados potencialmente ilícitos.
No entanto, a ativação dessas funções é padrão em PCs com Windows 11, o que dá a sensação de que o sistema anti-trapaça pode acabar flagando instrumentos legítimos usados por jogadores com deficiência. Assim, a experiência de jogadores que dependem de controles adaptativos pode ser prejudicada por uma tecnologia que, apesar de efetiva, tem seus limites na diferenciação de dispositivos.
O caso do streamer WheeledGamer reforça esse ponto ao mostrar a dificuldade de distinguir entre controle legítimo de acessibilidade e equipamento que possa ser considerado uma vantagem injusta. O jogador destacou que a sua ferramenta, o QuadStick, é um dispositivo de suporte e não uma tentativa de burlar o sistema.
Reação da comunidade e ajustes na política de banimento
Felizmente, após a repercussão, a equipe de suporte do Call of Duty revisou o caso de WheeledGamer, que teve seu banimento temporário cancelado. A desenvolvedora prometeu analisar possíveis configurações que poderiam ter causado a detecção automática do dispositivo.
O streamer agradeceu a atenção e se colocou à disposição para ajudar na identificação de problemas semelhantes no futuro. A história mostra que a comunidade de gamers com deficiência ainda enfrenta obstáculos, mas também que as desenvolvedoras estão atentas às necessidades de acessibilidade, sempre buscando equilibrar segurança e inclusão.
Casos semelhantes e o desafio de diferenciar acessibilidade de trapaça
A questão da falsa detecção não é exclusiva de Call of Duty. Em março de 2026, a Embark Studios enfrentou uma situação parecida com o jogo ARC Raiders, onde vários usuários com dispositivos de acessibilidade foram banidos por uso de controladores adaptativos.
Embora a desenvolvedora tenha afirmado que esses bans foram não intencionais, o episódio reforça a necessidade de aprimoramentos nos sistemas anti-cheat para reconhecer corretamente esses dispositivos. Além de evitar injustiças, essa evolução também ajuda a promover o acesso de jogadores com necessidades especiais ao universo dos jogos online, que deve ser cada vez mais inclusivo.
Vale a pena adaptar-se às regras de sistemas anti-cheat com acessibilidade?
No contexto atual, melhorias na distinção de dispositivos de acessibilidade representam um avanço na inclusividade dos jogos. Ainda assim, é fundamental que os desenvolvedores ajustem suas tecnologias para garantir que jogadores com deficiência possam participar de forma segura e justa.
A situação de WheeledGamer reforça que o desenvolvimento de controles adaptativos merece atenção especial diante de sistemas anti-cheat cada vez mais sofisticados. Assim, considerar essa questão é essencial para promover uma comunidade gamer mais acessível e livre de injustiças.
Imagem: Divulgação
