Kevin Feige passou quase duas décadas orquestrando o Universo Cinematográfico Marvel, transformando heróis dos quadrinhos em ícones de bilheteria. Mesmo com tantos acertos, o presidente da Marvel Studios reconhece que nem tudo saiu conforme o planejado.
Em entrevistas recentes, o executivo listou cinco decisões que gostaria de apagar com uma máquina do tempo. As mudanças envolvem desde detalhes estéticos em Thor até a estratégia de lançamento das séries do Disney Plus. Confira, a seguir, cada arrependimento de Feige e como eles afetaram o MCU.
Visuais de Thor: a saga das sobrancelhas loiras
Para o primeiro Thor, em 2011, a equipe quis reproduzir fielmente o visual dos quadrinhos e decidiu descolorir as sobrancelhas de Chris Hemsworth. Hoje, Kevin Feige considera o resultado “ridículo”. Segundo ele, o ator já entregava o carisma e a presença do Deus do Trovão sem precisar da mudança drástica. Algumas cenas ainda incomodam o presidente do estúdio, que brinca sobre o “sofrimento” do astro australiano com o processo químico.
A partir de Thor: O Mundo Sombrio, o visual foi gradualmente ajustado. Hemsworth manteve o cabelo loiro, mas as sobrancelhas voltaram ao tom natural, mostrando que detalhes menos explícitos bastam para convencer o público.
Casting do Ancião em Doutor Estranho: lição aprendida
Outra escolha repensada envolve a escalação de Tilda Swinton como o Ancião em Doutor Estranho (2016). O personagem clássico era um mestre tibetano nos quadrinhos, mas virou uma mentora celta no filme. A mudança pretendia fugir do estereótipo do “velho sábio asiático”, porém gerou críticas por apagar representatividade asiática.
Feige reconhece que havia alternativas melhores: “Havia como evitar o clichê e, ainda assim, contratar um ator asiático.” O diretor Scott Derrickson também comentou, na época, que temia reforçar a figura da “Dragon Lady”, mas o debate expôs a necessidade de maior sensibilidade cultural nos elencos da Marvel.
O suspense em torno do título de Vingadores: Ultimato
Durante a divulgação de Guerra Infinita, o estúdio escondeu o nome oficial da sequência. Aventuras de fãs apontavam para títulos como “Annihilation” ou “Forever”. Quando Vingadores: Ultimato foi revelado, muitos sentiram frustração: o mistério parecia maior que a recompensa.
Imagem: Divulgação
Kevin Feige admite que a estratégia saiu pela culatra. Segundo ele, o sigilo desviou a atenção do público do filme em cartaz e criou expectativas impossíveis. O nome “Ultimato” era considerado spoiler porque indicava que Guerra Infinita terminaria sem desfecho completo, mas a maioria dos fãs já intuía que o conflito seguiria.
Expansão acelerada no Disney+ e o anúncio antecipado de Blade
Com a chegada do Disney Plus, o MCU saltou de 50 para mais de 100 horas de conteúdo planejado até o início da Fase 6. Séries como She-Hulk e Invasão Secreta dividiram opiniões, enquanto espectadores reclamavam da sensação de “lição de casa” para acompanhar tudo. Feige reconhece que “a quantidade superou a qualidade” pela primeira vez, resultado de uma ordem interna para abastecer o streaming.
Outra consequência do excesso de entusiasmo foi o anúncio precoce de Blade. Em 2019, Mahershala Ali subiu ao palco da San Diego Comic-Con como o caçador de vampiros, mas o projeto perdeu diretores, roteiristas e segue sem data definida. Em retrospecto, Feige admite que preferia ter revelado o filme apenas quando ele estivesse mais consolidado.
Mesmo assim, o presidente garante que Ali continua ligado ao papel e que o personagem pode surgir em futuros projetos, talvez em equipe com o Midnight Sons. Enquanto isso, o MCU aguarda datas mais concretas, e especulações sobre novas fases dominam fóruns e redes sociais. Vale lembrar que o hype permanece alto após o recente trailer de Avengers: Doomsday, onde Robert Downey Jr. aparece como Doutor Destino, reacendendo o interesse pelo futuro da saga.
Vale a pena revisitar o MCU?
Mesmo com tropeços, o plano de Kevin Feige ainda dita o ritmo das grandes conversas sobre cultura pop. Para quem acompanha o HeroesBrasil, rever as fases anteriores ajuda a entender por que certos ajustes tornaram-se necessários – e como eles podem guiar a próxima leva de filmes, séries, games e animações da Marvel.
