O retorno do torneio mais sangrento do cinema está cada vez mais perto, mas nem todos os lutadores sobrevivem fora da arena. Em entrevista exclusiva, o roteirista Jeremy Slater cravou que Goro, o tetrabraço favorito dos fãs, não será ressuscitado na sequência de Mortal Kombat II.
A decisão aponta para uma mudança clara de direção: menos criaturas geradas por computador e mais confronto corpo a corpo, mantendo o espírito do game, mas com pés no chão. A equipe quer que o público sinta cada golpe, sem distrações vindas de efeitos visuais pesados.
Mortal Kombat II reforça foco em lutadores humanos
Slater destacou que, ao contrário dos jogos — repletos de monstros, ciborgues e deuses —, o novo longa da Warner Bros. pretende realçar a habilidade de artistas marciais em lutas coreografadas. Karl Urban assume o protagonismo como Johnny Cage, acompanhado por nomes já conhecidos, como Kitana (Adeline Rudolph), Sonya Blade (Jessica McNamee) e Jax (Mehcad Brooks).
Para o roteirista, a troca de golpes entre duas pessoas reais prende mais a atenção. Segundo ele, “ver dois atletas disputando cada centímetro de um cenário é mais visceral do que um ator socando o ar diante de um inimigo digital”. Essa escolha também dialoga com a recepção do público: o primeiro filme de 2021 apostou alto em Goro, mas a criatura não convenceu totalmente nos quesitos realismo e intensidade.
Por que Goro ficou de fora dos planos
O príncipe shokan exigiu um orçamento robusto em 2021, pois foi construído 100% em CGI. Mesmo assim, a luta contra Cole Young não agradou parte dos fãs. Slater reconhece que seria inviável alcançar o mesmo nível de impacto comparado a um duelo entre artistas como Joe Taslim (Sub-Zero) ou Max Huang (Kung Lao).
Além do custo, existe o fator imersão: “Nós aprendemos que as lutas ficam mais satisfatórias quando são humano contra humano”, cravou o roteirista. Para quem sente falta do gigante, ele ainda citou a versão animatrônica do longa de 1995, mas explicou que esse modelo não se encaixa bem no ritmo frenético exigido atualmente.
Impacto nas cenas de ação e orçamento
A opção por confrontos físicos tende a reduzir consideravelmente gastos com efeitos especiais, liberando verba para cenários, figurinos e coreografias mais elaboradas. O time de produção pretende elevar o nível técnico das batalhas, apostando em câmeras mais próximas e cortes menos frenéticos para valorizar cada movimento.
Imagem: Shawn Lealos
Os resultados já aparecem: Mortal Kombat II alcançou 89% de aprovação do público no Rotten Tomatoes em seus primeiros dias, superando a nota de 2021. Nas bilheterias, o filme está a apenas 21 milhões de dólares de ultrapassar o antecessor — feito expressivo, considerando que ainda nem completou a primeira semana em cartaz.
O que esperar de Mortal Kombat III sem criaturas gigantes
Com Goro fora de cena, o caminho se abre para a introdução de novos kombatentes totalmente humanos, como Kenshi, Li Mei ou até o veterano Baraka, se for possível retratá-lo com próteses realistas. A prioridade é manter duelos ágeis, cruentos e coreografados por especialistas em artes marciais.
Caso a estratégia dê certo, a franquia pode influenciar outros projetos que misturam fantasia e pancadaria. Séries e filmes que abusam do CGI enfrentam críticas semelhantes, reforçando a ideia de que o público busca autenticidade. Para quem quer revisitar a história, vale lembrar que o filme Mortal Kombat de 2021 está disponível gratuitamente via Microsoft Rewards, ótima chance de comparar as abordagens.
Vale a pena apostar na nova direção?
Ao priorizar combates reais e cortar monstros digitais, Mortal Kombat II tenta resgatar a essência que consagrou o game nos fliperamas: a adrenalina de dois lutadores frente a frente. Se a bilheteria continuar subindo, HeroesBrasil aposta que a estratégia deve ditar o tom das próximas adaptações — dentro e fora do Reino de Outworld.
