O embate entre Nintendo, The Pokémon Company e a desenvolvedora Pocketpair ganhou mais um capítulo. A gigante japonesa tenta emplacar uma patente voltada a controles por toque em sistemas de captura de monstros, mas o órgão japonês voltou a barrar o pedido.
A negativa mantém o clima de incerteza sobre o processo que acusa Palworld de violar registros da franquia Pokémon. Se aprovada, a nova patente poderia ampliar a munição jurídica da Nintendo justamente quando o spin-off para celulares se aproxima do lançamento.
Movimento judicial se intensifica
A ação principal corre desde setembro de 2024, quando Nintendo e The Pokémon Company alegaram infração de diversas patentes relacionadas a captura de criaturas e troca de montaria. Mesmo após ajustes de jogabilidade implementados por Pocketpair em meados de 2025, o processo continua e já gerou perdas financeiras expressivas para a Nintendo no ano fiscal de 2026.
Dentro dessa estratégia, a empresa protocolou em 2026 o pedido de patente 2026-019762, agora novamente rejeitado. O documento pertence à mesma família citada na ação e reforça a tese de que a companhia pretende cercar todas as variações possíveis do sistema de captura presente em Palworld, inclusive na futura versão mobile desenvolvida pela Krafton.
O que diz o novo pedido de patente
No texto submetido ao Escritório de Patentes do Japão, a Nintendo descreve um método onde o jogador move o personagem pelo toque na tela, arremessa itens para capturar criaturas tanto dentro quanto fora de batalha e recebe, em seguida, a confirmação de sucesso ou falha. São exatamente esses três pilares — controle por toque, uso de itens de captura fora do combate e checagem binária de resultado — que formam o núcleo do documento.
Especialistas como o analista Florian Mueller apontam que, caso consigo aprovação, a patente poderia ser usada não só contra Palworld Mobile, mas também contra títulos como Roco Kingdom: World, sucesso da Tencent com 15 milhões de jogadores logo no dia de estreia na China. O interesse em defender esse terreno parece óbvio: o mercado mobile responde por uma fatia cada vez maior da receita de games, cenário que a Nintendo monitora de perto.
Obstáculos no Escritório de Patentes do Japão
A rejeição mais recente vai além de um mero trâmite burocrático. O examinador concluiu que o pedido carece de “passo inventivo”, termo técnico que indica falta de novidade frente a conceitos já conhecidos. Na visão do órgão, combinar controles de toque a mecânicas de captura e verificação de sucesso é algo óbvio para quem domina a área.
Imagem: Divulgação
Nintendo ainda pode apresentar novas emendas, repetindo o que fez com outro registro rejeitado em 2025 e aprovado parcialmente em fevereiro de 2026. A aposta seria limitar o escopo do texto para driblar comparações com patentes anteriores. Por enquanto, o impasse atrasa qualquer tentativa de usar o documento como arma adicional no litígio contra a Pocketpair.
Possíveis impactos para Palworld Mobile e mercado mobile
Sem a chancela do escritório japonês, a Nintendo mantém menos argumentos formais para contestar o lançamento de Palworld Mobile, previsto para chegar aos dispositivos iOS e Android pela Krafton. Ainda assim, nada impede que a companhia apresente futuros pedidos ou busque autoridade em outras jurisdições, prolongando o embate e, consequentemente, o cronograma do tribunal.
O cenário também desperta atenção de outros estúdios que elaboram projetos de captura de criaturas, sobretudo na cena mobile. A crescente transparência sobre números de jogadores, vista em iniciativas como a contagem pública de usuários no PS5, pressiona publishers a oferecer experiências diferenciadas — e protegidas juridicamente — para se destacar.
Vale a pena ficar de olho?
Para o público que acompanha o universo geek no HeroesBrasil, observar os próximos passos da patente da Nintendo é essencial. A decisão final pode redefinir não só o futuro de Palworld Mobile, mas também os limites de inovação nos jogos de captura de monstros em telas sensíveis ao toque.
