Os anos 2000 costumam ser lembrados como uma era de ouro para a animação japonesa, mas nem tudo que chegou às telas brilhou. Entre superproduções marcantes, também surgiram verdadeiros tropeços que decepcionaram pela trama confusa, pela animação precária ou pelas decisões de roteiro questionáveis.
O HeroesBrasil reuniu os piores animes de ficção científica lançados em cada ano da década, apontando o que deu tão errado em cada projeto. A lista vai de 2000 a 2009 e ajuda a entender como, mesmo em um período criativo efervescente, a qualidade nem sempre acompanhou a quantidade.
Da esperança à decepção: os piores animes de ficção científica entre 2000 e 2002
2000 – Argento Soma
Também conhecido como Frank da Mecha, o anime de 25 episódios prometia ação em 2059, mas entregou um ritmo lento e arte esquisita. Protagonista focado apenas em vingança, personagens “sem nariz” e final resolvido a lágrimas frustraram quem buscava emoção.
2001 – Generation of Chaos
O OVA inspirado no RPG tático da Idea Factory saiu como material promocional, mas pecou em todos os pontos. História que não engaja, CGI datado e personagens rasos fizeram as três partes despencarem em avaliações, mesmo carregando um título que sugeria batalhas épicas.
2002 – Genma Wars: Eve of Mythology
Ambientado num futuro pós-apocalíptico, o anime de 13 episódios adaptou um mangá clássico de Shotaro Ishinomori. A produção, porém, tropeçou no ritmo e na qualidade visual, deixando difícil para o público se importar com os gêmeos Loof e Jin e sua luta contra o pai tirano.
2003 e 2004: quando o baixo orçamento falou mais alto
2003 – Beast Fighter: The Apocalypse
A mescla de ficção científica, horror e fantasia sombria virou sinônimo de animação reciclada. Batalhas “congeladas”, arte inconsistente e violência gratuita, incluindo cenas chocantes com crianças, afastaram até fãs de gore.
2004 – Skelter+Heaven
O OVA de 19 minutos dirigido por Yoshiteru Satō colocou a Agência Alta Mira contra um monstro misterioso em Tóquio. Mal-renderização 3D, cortes bizarros e um elenco de pilotos sem carisma selaram o destino do projeto, frequentemente citado em listas de fracassos absolutos.
Desastres de 2005 a 2007: do gore ao RPG mal adaptado
2005 – Mars of Destruction
Em apenas 19 minutos, a história de um adolescente forçado a vestir a armadura MARS conseguiu inserir animação rígida, furos de roteiro e um plot twist sem sentido. Resultado: um dos menores índices de aprovação já registrados.
Imagem: Divulgação
2006 – Musashi Gundoh
Idealizado por Monkey Punch, o anime que misturava pistolas e katanas ficou marcado por modelos desenhados fora de proporção, cenas de batalha sem continuidade e um episódio de recapitulação precoce para compensar atrasos na produção.
2007 – Shining Tears X Wind
Adaptar dois jogos da Sega pareceu boa ideia, mas o estúdio decidiu rebaixar o protagonista original Kaito Kiriya a coadjuvante. Além de confundir novatos, a série apresentou animação irregular e roteiro que só quem zerou os games conseguia decifrar.
Últimos cartuchos da década: Blassreiter e Abunai Sisters fecham a lista
2008 – Blassreiter
Co-produzido pela Gonzo, o título levou motocicletas possuídas e demônios biotecnológicos à Alemanha futurista. A trama fragmentada, apoiada em clichês de ficção científica, rapidamente perdeu força, e nem o design de criaturas salvou a recepção.
2009 – Abunai Sisters: Koko & Mika
Planejada como vitrine em 3D para as celebridades conhecidas como Kano Sisters, a minissérie de dez episódios usou computação gráfica rudimentar e história quase inexistente sobre uma pedra mágica que garante juventude. Dois capítulos bastaram para o canal cancelar a exibição semanal.
Vale a pena revisitar esses títulos hoje?
Os dez animes listados permanecem como exemplos de quando cronogramas apertados, orçamentos limitados ou escolhas de roteiro equivocadas transformam boas ideias em decepções. Reassistir pode interessar a quem estuda produção de animação ou procura curiosidades da cultura pop, mas a maioria dos fãs de ficção científica continua preferindo investir tempo em obras mais bem-sucedidas da mesma era.
