Quem viveu a temporada de blockbusters de 2009 lembra do impacto provocado por Star Trek, dirigido por J.J. Abrams. A produção não só renovou o interesse pelo universo da Frota Estelar como também abriu caminho para novos fãs da saga.
Passados quase quinze anos, porém, o cenário mudou: o tão falado Star Trek 4 patina nos bastidores, outras marcas dominaram o espaço nas bilheterias e o universo televisivo da franquia também pisa no freio. Afinal, o que segura a Enterprise no porto?
Como o reboot de 2009 redefiniu Star Trek para o público geral
Quando chegou aos cinemas em 8 de maio de 2009, Star Trek era o primeiro filme da série desde Nemesis, de 2002, e carregava a missão de tirar o IP da zona de nicho. O resultado: 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, a melhor nota da história da marca, e US$ 385,6 milhões em bilheteria mundial — quase o dobro do maior desempenho anterior da franquia.
O segredo foi o ritmo frenético característico de Abrams, mais próximo de Star Wars que do tradicional tom contemplativo de Jornada nas Estrelas. A escolha de trabalhar com a “Linha do Tempo Kelvin”, uma realidade paralela, garantiu liberdade para contar histórias novas sem desprezar a cronologia clássica. Chris Pine, Zachary Quinto e Zoe Saldana assumiram papéis icônicos sem parecer meras cópias, reforçando a química da nova tripulação.
Fatores que impulsionaram o sucesso imediato
Star Trek também surfou em um momento estratégico. Em 2009, o Universo Cinematográfico da Marvel ainda engatinhava e a trilogia prelúdio de Star Wars havia terminado. Ou seja, o mercado carecia de uma grande space opera para ocupar espaço entre os blockbusters.
Além disso, a Paramount investiu pesado em marketing e lançou o longa no comecinho da temporada de verão norte-americano, garantindo semanas de holofote quase sem concorrentes diretos. A recepção calorosa transformou o título em porta de entrada para quem nunca tinha se aventurado pela Frota Estelar, fenômeno lembrado até hoje no HeroesBrasil.
Por que a sequência perdeu tração nas bilheterias
Mesmo com Into Darkness arrecadando US$ 467,3 milhões em 2013, o filme enfrentou críticas por reciclar elementos de A Ira de Khan, dividindo fãs veteranos. Três anos depois, Star Trek Beyond celebrou os 50 anos da série, mas ficou nos US$ 343,4 milhões — valor considerado aquém das expectativas do estúdio.
Imagem: Chris Agar
Nesse intervalo, duas forças mudaram a paisagem geek: o retorno de Star Wars aos cinemas e a consolidação da Marvel como fenômeno cultural. A partir de então, a Enterprise deixou de preencher um vácuo para disputar atenção em um calendário lotado.
O futuro nebuloso de Star Trek nos cinemas e na TV
Várias tentativas de tirar Star Trek 4 do papel esbarraram em conflitos de agenda e cortes de orçamento. A opção mais recente é um novo reboot comandado pela dupla Jonathan Goldstein e John Francis Daley, conhecida por Game Night e Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves. Ainda não há data de estreia nem elenco confirmado, e a produção depende da reorganização da Paramount após a fusão com a Skydance.
No streaming, pela primeira vez em quase dez anos, não existe série inédita de Jornada nas Estrelas em filmagem. Parte do público, temendo saturação, pede uma pausa estratégica. Enquanto isso, outros estúdios apostam forte em renovações de clássicos, caso de He-Man, que ganhou novo vídeo com Evil-Lyn em ação, e até o terror em quadrinhos 30 Days of Night, disponível de graça no Pluto TV.
Vale a pena ficar de olho em mais um reboot de Star Trek?
A marca já provou ter potencial para se reinventar, e o histórico de Goldstein & Daley em equilibrar humor, ação e coração pode combinar com a Frota Estelar. Tudo depende de um roteiro que dialogue com novos espectadores sem alienar a base fiel — exatamente o que tornou o longa de 2009 tão especial.
