O universo da cultura pop perdeu um de seus maiores arquitetos. Ted Turner, responsável por erguer canais icônicos como Cartoon Network, CNN e TNT, faleceu nesta segunda-feira (data local) aos 87 anos.
Diagnosticado com demência corporal de Lewy em 2018, o empresário estava afastado da vida pública havia alguns anos. Mesmo longe das câmeras, sua influência permanecia visível em cada animação, série ou evento esportivo transmitido pelos canais que ajudou a criar.
Da ousadia em Atlanta ao império global da TV por assinatura
Nascido em Cincinnati, Ohio, mas criado na vibrante Atlanta, Ted Turner começou a carreira conhecido como “The Mouth of the South”. Na década de 1970, comprou uma pequena emissora local e rapidamente transformou o negócio em um conglomerado que redefiniu televisão 24 horas por dia. A CNN, lançada em 1980, foi o primeiro canal de notícias contínuas do mundo, abrindo caminho para o consumo instantâneo de informação.
Nos anos seguintes vieram TNT, Turner Classic Movies e, claro, o Cartoon Network, lar de animações que marcaram gerações, de Laboratório de Dexter a Samurai Jack. Esses canais ajudaram a popularizar maratonas de séries e estimularam o hábito que hoje faz muita gente buscar plataformas gratuitas para ver animes e filmes sem colocar a mão no bolso.
Impacto direto nos animes, games, filmes e séries
A criação do Cartoon Network não apenas abriu espaço para produções originais; também revelou animes ao grande público ocidental. Bloquinhos como Toonami e Adult Swim apresentaram Dragon Ball Z, Cowboy Bebop e InuYasha a milhões de fãs que, até então, dependiam de fitas VHS. Esse movimento ajudou a consolidar o mercado de animes em solo americano e, mais tarde, no Brasil.
No campo dos games, os personagens exibidos pelo canal inspiraram títulos para consoles e PC, espalhando a influência de Turner pela indústria gamer. O mesmo vale para filmes e séries: sem o modelo de maratona criado por seus canais, é difícil imaginar o sucesso de universos cinematográficos como o da Marvel, onde debates — se Tony Stark estava certo em Guerra Civil ou não — seguem fervendo até hoje.
Do beisebol à luta livre: um magnata que gostava de ação
Turner nunca limitou seus interesses à televisão. Em 1976, comprou o Atlanta Braves e, anos depois, adquiriu o Atlanta Hawks, garantindo que as equipes permanecessem no estado da Geórgia. Essa estratégia também rendeu conteúdo esportivo exclusivo para seus canais, atraindo ainda mais assinantes.
Imagem: Getty
Outro campo em que se aventurou foi a luta livre. Ao apoiar a criação da World Championship Wrestling (WCW), Ted Turner estabeleceu a rivalidade histórica com a então WWF, hoje WWE. A guerra de audiência dos anos 1990 moldou o formato atual do entretenimento esportivo, abrindo portas para federações como a AEW, fenômeno entre fãs que adoram discutir cultura geek na internet.
Repercussão imediata e homenagens
Após o anúncio da morte, Mark Thompson, atual CEO da CNN Worldwide, declarou que Turner continua sendo “o espírito que preside a emissora”. Colegas, ex-funcionários e celebridades do cinema e da TV usaram redes sociais para agradecer ao executivo por oportunidades profissionais e pela ousadia visionária que mudou a forma de contar histórias.
Herói para muitos fãs de cultura pop, Turner deixa cinco filhos, catorze netos, dois bisnetos e um legado que permanece vivo sempre que alguém sintoniza desenhos, filmes clássicos ou transmissões de basquete na madrugada. Para o site HeroesBrasil, é impossível falar de TV a cabo, animes ou séries sem esbarrar na influência dele.
Vale a pena revisitar suas criações?
Se você sente nostalgia de animações noventistas ou quer entender como a programação 24 horas virou padrão, revisitar o Cartoon Network, a programação clássica da TNT ou antigos combates da WCW é uma experiência quase obrigatória. A obra de Ted Turner continua disponível em serviços de streaming, coleções de DVD e até em action figures raros, como a peça de Darth Vader que agita leilões mundo afora. A história da cultura geek moderna simplesmente não existiria da mesma forma sem ele.
