Dezessete anos após o fim da animação original, Avatar: The Last Airbender volta a ocupar os holofotes. Enquanto fãs aguardam o longa inédito The Legend of Aang, marcado para outubro no Paramount+, o serviço Peacock disponibilizou a versão live-action de 2010 assinada por M. Night Shyamalan. A chegada do filme reacende discussões sobre o que deu errado na primeira tentativa de levar a história de Aang para as telas com atores reais.
Com apenas 5% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e 30% do público, The Last Airbender carrega a fama de uma das piores adaptações de anime e animação dos últimos anos. Mesmo assim, a curiosidade dos assinantes pode aumentar, sobretudo agora que o universo Avatar ganhará novos projetos, incluindo a série animada Avatar: Seven Havens.
Chegada do filme ao streaming
The Last Airbender entrou no catálogo da Peacock em 1º de maio. O longa adapta todo o primeiro livro da série animada, Book One: Water, em apenas 103 minutos. A trama mostra Aang descobrindo seu papel como Avatar ao lado de Katara e Sokka, enquanto tenta deter a Nação do Fogo.
A escolha da data não foi aleatória. A plataforma reforça o line-up geek em 2024 para disputar a atenção do público que consome animes, games e grandes franquias. HeroesBrasil apurou que o título já figura entre os conteúdos mais pesquisados na aba de fantasia da plataforma, ainda que as avaliações sigam negativas.
Por que The Last Airbender decepcionou
Entre os principais pontos de crítica, a caracterização do trio central foi a mais sentida. O carisma do Aang original cedeu lugar a um protagonista sisudo, enquanto Katara perdeu a garra e Sokka quase não exibe o humor que o tornou favorito dos fãs. O resultado foi um grupo sem a química que sustentava cada episódio da animação.
Além disso, condensar 20 episódios em pouco mais de 1h40 min prejudicou o desenvolvimento de mundo e personagens. Cenas de dobra de ar, água, terra e fogo, que na série se destacavam pela fluidez inspirada em artes marciais, ficaram engessadas no cinema. A equipe também recebeu críticas por escalar majoritariamente atores brancos, apagando a forte inspiração asiática da obra original e até alterando a pronúncia de nomes consagrados.
Reação do público e notas
Os 5% de aprovação no Rotten Tomatoes colocam The Last Airbender no patamar de fracassos como Cool World, animação de 1992 com Brad Pitt que recentemente voltou a repercutir ao chegar ao Paramount+ (confira os detalhes). Já o público, embora mais generoso, manteve o status de “rotten” com apenas 30%.
Imagem: Allis Schter
No Reddit e em fóruns, colecionadores de Avatar relatam que assistem ao filme mais como estudo do que como entretenimento. Entre os poucos elogios, destaca-se a trilha sonora de James Newton Howard, apontada como o ponto alto de uma produção que falhou em praticamente todo o resto, algo semelhante ao que ocorreu com produções de outras sagas, como alguns spin-offs de Star Wars que seguem na lista de “não realizados” (veja exemplos).
O que mais chega ao Peacock em maio
A estreia de The Last Airbender abriu a temporada de novidades do Peacock. Entre os longas que já entraram no serviço estão The Martian, Pulp Fiction, Galaxy Quest e Dirty Dancing. Para os próximos dias, a plataforma promete Arthur the King em 11 de maio, Wicked em 21 de maio e um pacote com oito filmes de Quentin Tarantino no dia 22.
O reforço no catálogo faz parte de uma estratégia similar à aplicada pela Netflix com os animes de ação KPop Demon Hunters, que vêm registrando recordes de permanência no Top 10 mundial (entenda o fenômeno). A ideia é manter o usuário ligado às novidades enquanto projetos aguardados, como a nova aventura de Aang, não chegam.
Vale a pena revisitar The Last Airbender?
Para quem deseja comparar adaptações ou simplesmente matar a curiosidade antes do novo filme de Aang, The Last Airbender está a um clique na Peacock. Ainda que permaneça como exemplo do que não fazer em live-actions de animação, o longa funciona como registro histórico da franquia e suplício cult para fãs completistas.
