Cinco anos se passaram desde que Army of the Dead chegou à Netflix e colocou Las Vegas infestada de zumbis neon no radar dos fãs de terror e ação. O longa de Zack Snyder provou que o diretor podia prosperar fora dos super-heróis, atraindo 75 milhões de domicílios no primeiro mês.
Apesar do êxito, a peça que faltava para fechar o quebra-cabeça chamado “Armyverse” continua engavetada: o anime Lost Vegas, produzido, dublado e – segundo o próprio Snyder – praticamente finalizado. Entenda por que a série nunca ganhou a luz do dia.
Da gaveta da Warner à Netflix: a longa jornada de Army of the Dead
A ideia de misturar assalto a cassino com apocalipse zumbi surgiu ainda em 2007, quando o projeto estava nas mãos da Warner Bros. Ali, o roteiro de Joby Harold passou por diferentes diretores e reescritas até cair no temido limbo de Hollywood.
Somente em 2019, quando a Netflix assumiu os direitos, Snyder pôde reacender o plano. O orçamento de US$ 90 milhões financiou sequências grandiosas, como o tigre zumbificado Valentine e o cofre high-tech cercado por Alphas liderados por Zeus. O resultado abasteceu o streaming com um blockbuster original capaz de rivalizar até com lançamentos que ganharam manchetes recentes, como o longa que “derrotou” KPop Demon Hunters no ranking interno.
Lost Vegas: o spin-off em anime que prometia expandir o Armyverse
Anunciado logo após a estreia do filme, Army of the Dead: Lost Vegas se concentraria nas primeiras 48 horas do surto. A animação detalharia o passado de Scott Ward (Dave Bautista) e mostraria o exército tentando conter a epidemia antes que Las Vegas fosse murada e condenada.
O elenco de vozes incluía retornos do longa e reforços de peso, como Joe Manganiello (Rose) e Christian Slater (Torrance). Fora da limitação orçamentária do live-action, a série prometia revelar os zumbis-robô e conectar a misteriosa Área 51 ao caos na Strip – tópicos que fãs de HeroesBrasil especulam até hoje nos fóruns.
Por que a série animada foi cancelada mesmo depois de pronta?
De acordo com o showrunner Jay Oliva, Lost Vegas já estava em fase de animação quando, em agosto de 2024, a Netflix mudou a estratégia para o setor e cancelou o projeto. Snyder contou à revista Total Film que todos os roteiros, animatics e dublagens estavam finalizados: “Dá pra assistir tudo no formão maluco de storyboard”, revelou.
Imagem: Marco Vito Oddo
O corte veio em conjunto com o arquivamento de Planet of the Dead, sequência live-action que mostraria Vanderohe (Omari Hardwick) levando a infecção ao México. Assim, várias pontas soltas – como a evolução biológica dos Alphas – permanecem sem desfecho.
Impacto das mudanças na franquia e o futuro incerto dos zumbis de Snyder
Para os seguidores de Army of the Dead, o cancelamento representou mais que uma decisão administrativa: foi a interrupção de um universo que se vendia como expansivo. Mesmo com o derivado Army of Thieves mantendo o interesse alto, a falta de Lost Vegas deixou perguntas em aberto.
Por outro lado, Snyder direcionou seus esforços para Rebel Moon, espaço-ópera igualmente ambiciosa. A manobra lembra situações em que grandes estúdios pausam marcas consolidadas para apostar em novas propriedades – movimento que também afeta personagens fora do eixo Marvel e DC, como se discute no guia sobre vilões superpoderosos.
Vale a pena torcer por um lançamento tardio?
Enquanto Army of the Dead e Army of Thieves continuam disponíveis no catálogo da Netflix, Lost Vegas permanece trancado em um cofre metafórico tão complexo quanto o do hotel Bly Tanaka. Com todo o material pronto, a possibilidade de estreia futura ainda existe, mas depende de ventos executivos favoráveis e da receptividade a novas animações dentro da plataforma.
