Você já imaginou uma sequência de Dragon Ball Z em que Goku perde todo o seu Ki, Vegeta desaba em lágrimas e Pan finalmente se transforma em Super Saiyajin? Pois essa história existe e atende pelo nome de Dragon Ball Zeroverse, um fan-mangá criado na China que circula na internet há anos.
Apesar da qualidade artística questionável e de um roteiro repleto de reviravoltas bizarras, Dragon Ball Zeroverse chama atenção por ter introduzido o conceito de multiverso muito antes de Dragon Ball Super explorá-lo oficialmente. A seguir, o HeroesBrasil destrincha os principais pontos dessa obra curiosa que ganhou 15 volumes e 105 capítulos.
Origens turbulentas de Dragon Ball Zeroverse
Produzido na segunda metade da década de 1990, o projeto foi publicado na China com o título Dragon Ball Tibetan Edition pela editora Tibet Peoples Publishing House. Sem qualquer aval de Akira Toriyama, a série logo passou a ser chamada informalmente de Dragon Ball Zeroverse pelos leitores ocidentais.
O mangá surgiu no vácuo deixado pelo fim do material original, aproveitando o final em aberto de Dragon Ball Z para imaginar novas aventuras três anos depois do treinamento de Goku com Uub. A iniciativa amadora viralizou em fóruns e, anos mais tarde, um colecionador belga digitalizou todas as edições, permitindo que fãs do mundo inteiro conhecessem a curiosa continuação não oficial.
Enredo caótico: torneio familiar e Babidi ressuscitado
A narrativa começa no 29º Tenkaichi Budokai, ecoando a abertura da Saga Majin Boo. O evento é interrompido pela inesperada ressurreição de Babidi — sem explicação plausível além de “meu mestre reconstruiu meu corpo”. A partir daí, o roteiro descamba para situações cada vez mais extravagantes.
Uub, por exemplo, é possuído e ganha uma forma grotesca que lembra o Kid Boo original, tornando-se antagonista pelo restante da trama. Já Goten e Trunks se fundem simplesmente colidindo entre si, criando um Gotenks mais robusto. Enquanto isso, Pan atinge o Super Saiyajin, façanha que ela nunca alcançou em Dragon Ball GT ou Dragon Ball Super.
Alterações radicais nos heróis clássicos
Zeroverse não economiza na dose de violência e decisões polêmicas. Gohan é executado por Vegeta durante um sequestro, gesto que recebe aprovação de um Goku frio e calculista. Quando os vilões esmagam o corpo de Pan, o Saiyajin principal prefere salvar a Terra a gastar uma Esfera do Dragão para resgatar a neta.
Imagem: Divulgação
O ponto alto (ou baixo) da ousadia acontece quando o vilão Gulite aprisiona Goku em uma esfera de energia do “Universo Zero”, drenando todo o Ki do herói. Sem poderes, ele chega a apanhar de um bandido comum, enquanto Vegeta sofre colapso emocional ao queimar suas últimas reservas de energia. A atmosfera pesada contrasta com o tom leve que normalmente domina a franquia.
Recepção dos fãs e legado improvável
Com 15 volumes lançados antes de um cancelamento abrupto, Dragon Ball Zeroverse encerra a história deixando Goku e Vegeta presos em outro planeta sem Ki, enquanto o vilão final, Jiatai, desperta na Terra. A ausência de conclusão aumenta o ar de lenda urbana em torno da obra.
A comunidade de fãs diverge: alguns veem nas ideias de multiverso e na constante sensação de risco ingredientes refrescantes; outros criticam o excesso de violência gratuita e a descaracterização dos protagonistas. Ainda assim, o fan-mangá se tornou fonte de curiosidade histórica por antecipar temas que só apareceriam oficialmente anos depois.
Vale a pena encarar Dragon Ball Zeroverse?
Para quem coleciona tudo que envolve Dragon Ball, Zeroverse oferece uma experiência singular: é confuso, radical e repleto de falhas, mas também serve como retrato do fervor criativo dos fãs chineses nos anos 1990. Se a expectativa for apenas matar a saudade de ver Goku e companhia em situações extremas, talvez a leitura agrade — contanto que se deixem todas as regras do cânone na porta.
