Entre explosões, carros turbinados e vozes roucas, Vin Diesel dominou a virada dos anos 2000. No entanto, nem todo projeto do ator de Velozes & Furiosos foi recorde de bilheteria. Um exemplo é Babylon A.D., produção de 2008 que afundou no caixa e recebeu meros 7% no Rotten Tomatoes.
Quase duas décadas depois, o longa ressurge em destaque: durante todo este mês, Babylon A.D. pode ser assistido gratuitamente no Tubi, serviço de streaming com catálogo cheio de títulos cult. O resgate do filme reacende a discussão: será que a crítica pegou pesado demais?
Do que se trata Babylon A.D.
Dirigido por Mathieu Kassovitz e inspirado no romance “Babylon Babies”, o longa apresenta um futuro distópico em que mercenários ganham a vida transportando gente e segredos. Diesel vive Toorop, ex-militar contratado para levar Aurora (Mélanie Thierry), uma jovem com habilidades misteriosas, da Eurásia até Nova York. A jornada cruza zonas de guerra, gangues futuristas e uma seita religiosa que enxerga na garota a chance de fabricar um “milagre” em laboratório.
A premissa mistura ação explosiva com questionamentos sobre bioengenharia e fanatismo. No papel, parece fórmula de blockbuster, mas a execução dividiu opiniões já na estreia, em agosto de 2008.
Por que o filme virou sinônimo de bagunça
O próprio Kassovitz afirma ter perdido o controle do corte final. Segundo o diretor, interferências da então 20th Century Fox remodelaram cenas e comprimiram a narrativa. O resultado é um ritmo irregular, que pula de perseguições frenéticas para reflexões filosóficas sem transição suave.
Não é o primeiro sci-fi a sofrer nesse vai-e-vem criativo; basta lembrar do reboot que sacudiu a ficção científica em 2009 e também passou por reedições pesadas. Em Babylon A.D., o diagnóstico foi ainda mais severo: críticos chamaram o longa de “episódio ruim de seriado”, comentário que colou na época.
Ação, elenco de peso e temas ousados
Apesar dos tropeços, o filme guarda qualidades que justificam uma segunda olhada. A começar pelo elenco: além de Diesel, aparece Michelle Yeoh em papel decisivo, muito antes do Oscar por Everything Everywhere All at Once. A atriz entrega coreografias afiadas e dá credibilidade aos momentos de artes marciais.
Imagem: Nicole Drum
Visualmente, Babylon A.D. não economiza em cenários urbanos decadentes, carros blindados e drones armados. A fotografia fria reforça o clima de desespero social. Entre um tiroteio e outro, o roteiro cutuca dilemas sobre manipulação genética e como grandes instituições — sejam corporações ou igrejas — podem explorar a ciência para fins de poder. O HeroesBrasil já ressaltou como produções ambiciosas costumam dividir público e críticos, e este caso não foge à regra.
Onde assistir Babylon A.D. de graça
O longa entrou no catálogo gratuito do Tubi em maio e fica disponível para usuários brasileiros com anúncios pontuais. A plataforma tem apostado em resgatar títulos cult, estratégia semelhante à oferta do clássico 30 Days of Night, também liberado sem custo recentemente.
Reassistir Babylon A.D. agora é mais simples que importar um DVD usado ou caçar edições estendidas nunca lançadas oficialmente. Quem curte analisar blockbusters problemáticos — e comparar apostas de bilheteria como as que devem agitar o próximo verão americano, listadas em projeções de mercado — tem aqui um prato cheio.
Vale a pena revisitar Babylon A.D.?
Se a curiosidade supera o receio de enredos confusos, Babylon A.D. oferece 90 minutos de ação estilosa, bons atores e reflexões surpreendentes para um sci-fi subestimado. Com o streaming gratuito removendo qualquer barreira de entrada, a experiência pode surpreender quem só conhece a nota baixa no agregador de críticas.