Hollywood adora apostar em marcas já conhecidas para reduzir riscos, especialmente quando falamos de franquias de ficção científica. O investimento pesado em efeitos visuais costuma convencer os estúdios a continuar exaurindo universos que já renderam muito dinheiro.
Mesmo assim, a falta de fôlego criativo salta aos olhos quando novos capítulos chegam aos cinemas sem o mesmo impacto dos originais. Abaixo, reunimos cinco exemplos atuais que ilustram bem esse desgaste.
M3GAN: do viral absoluto ao susto morno
A boneca assassina da Blumhouse virou fenômeno nas redes sociais antes mesmo da estreia, transformando M3GAN em sucesso de bilheteria graças a uma campanha digital impecável. A mistura de terror e humor exagerado conquistou o público e abriu caminho para uma sequência, M3GAN 2.0, rapidamente aprovada.
O problema veio na execução: o confronto contra mais um algoritmo descontrolado não empolgou, a dose de horror diminuiu e a bilheteria recuou junto com as críticas negativas. A ideia de criar um universo compartilhado esfriou depois do cancelamento de SOULM8TE, um spin-off com pegada erótica. Por enquanto, a boneca hi-tech deve voltar para o armário.
Planeta dos Macacos: reinício promissor, direção indefinida
A trilogia iniciada em 2011 impressionou ao mostrar a ascensão de César, personagem construído com captura de movimento de Andy Serkis, e encerrou a jornada de forma emotiva. Porém, Kingdom of the Planet of the Apes, lançado em 2024, trouxe um espetáculo visual sem o mesmo peso dramático.
Mesmo notando a queda, a 20th Century Studios contratou Matt Shakman para comandar um novo longa que deve abandonar a linha do tempo atual. Essa guinada evidencia o esforço do estúdio em manter a marca viva a qualquer custo, algo semelhante ao que aconteceu quando a plataforma Fawesome liberou clássicos como Pandorum para streaming gratuito, apostando no reconhecimento de nomes consolidados.
Avatar: Pandora ainda brilha, mas não como antes
James Cameron revolucionou a tecnologia do cinema em 2009 e repetiu o feito em Avatar: The Way of Water, que ultrapassou a marca de US$ 2 bilhões. Já Avatar: Fire and Ash registrou queda sensível de renda e críticas que apontam repetição de conflitos e batalhas.
Imagem: Marco Vito Oddo
Com mais dois filmes anunciados para a próxima década, o diretor e a 20th Century Studios precisam avaliar se o público manterá o interesse em acompanhar Jake Sully em guerras cada vez mais parecidas. A situação relembra outros projetos prolongados, como o aguardado Sherlock Holmes 3, cuja produção, segundo Guy Ritchie ainda esbarra na agenda de Robert Downey Jr..
Jogos Vorazes e Um Lugar Silencioso: esticando a corda na distopia
Os quatro filmes de Jogos Vorazes fecharam bem a história de Katniss Everdeen, mas o prequel A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes mostrou que a Lionsgate não pretende largar Panem. Agora, Sunrise on the Reaping, previsto para 2026, volta ainda mais no tempo para mostrar a juventude de Haymitch Abernathy, sinal claro de que a mina de ouro está sendo escavada até o fim.
No caso de Um Lugar Silencioso, o conceito de monstros guiados pelo som rendeu uma experiência tensa em 2018. A Parte II manteve o suspense, porém menos contido, e o spin-off Day One, ambientado em Nova York, indicou cansaço. Mesmo assim, a Paramount filmará Parte III para 2027. Até lá, a franquia corre o risco de repetir erros semelhantes aos que levaram muitos fãs a apontarem furos de roteiro em sagas consagradas.
Vale a pena continuar investindo nessas franquias?
Os números ainda sustentam a produção de sequências, mas a recepção crítica e o desgaste do público indicam que estas franquias de ficção científica caminham em terreno arriscado. HeroesBrasil seguirá de olho nos próximos movimentos dos estúdios para saber se elas conseguirão se reinventar ou se será hora de encerrar o ciclo.
