Antes de se tornar a gigante do entretenimento que conhecemos, Star Wars quase não saiu do papel. Em 1971, George Lucas rascunhou The Star Wars, um tratamento de apenas 13 páginas recheado de conceitos que soam bizarros hoje.
O documento, que completa 53 anos, mostra como a saga ainda estava distante de Luke Skywalker, sabres de luz e da mítica Força. A viagem a essas origens de Star Wars ajuda a entender o quanto a franquia mudou até chegar aos cinemas em 1977.
Primeiro rascunho: do zero ao espaço em 13 páginas
Lucas, então com 27 anos, buscava uma nova história após o lançamento de THX 1138. O resultado foi um roteiro enxuto que ele mesmo descreveu como “um conto de fadas espacial”. Nele, Luke não era Skywalker, mas sim um veterano de guerra chamado Starkiller — e nem sequer protagonizava a trama.
Os registros indicam que a princesa rebelde em fuga (precursora de Leia) carregava 200 libras de “aura spice”, substância contrabandeada muito valiosa. Nada de planos da Estrela da Morte, sabres ou Força: o foco era um thriller de perseguição interplanetária.
A tal “aura spice” e o embrião do narcotráfico galáctico
A palavra “spice” acabou sobrevivendo ao processo criativo e virou sinônimo de contrabando em várias obras da franquia. No texto de 1971, porém, o termo aparecia como “aura spice”, quase um trocadilho com o conceito místico de aura que ganharia força décadas depois.
De forma curiosa, a substância seria transportada pela família real rebelde, o que justificava a caçada imperial. Nada é dito sobre as propriedades do produto, mas ele antecipa o universo de corredores de especiarias explorado em séries como The Clone Wars, Rebels e mais recentemente em The Mandalorian, cujo futuro de Din Djarin segue despertando discussões.
O esquadrão de garotos rebeldes
Outro ponto inusitado do tratamento original é um grupo de dez meninos, entre 15 e 18 anos, que planejam invadir um posto imperial. Descritos como idealistas, eles chamam Starkiller de “verdadeiro homem” enquanto ele entra “coçando-se” em um bar repleto de aliens “estranhamente eróticos”.
Imagem: Liz Declan
As linhas, hoje hilárias, mostram que Lucas ainda tateava o tom da obra. O elemento juvenil não sobreviveu, mas a ideia de jovens enfrentando figuras de autoridade ecoa em Anakin na trilogia prelúdio e em Rey na sequência. Além disso, a ambientação de cantina repleta de criaturas exóticas acabou inspirando o icônico cenário de Mos Eisley, destacado na lista dos sete bonecos que definiram o cinema sci-fi.
Por que o roteiro quase ficou na gaveta
Mesmo para os padrões da Nova Hollywood, The Star Wars parecia arriscado. A trama carecia de antagonistas claros, e a escrita, segundo analistas, soava confusa. Foi só em rascunhos posteriores que surgiram a Força, o sabre de luz — inicialmente chamado “laser sword” — e o Império como pura personificação do mal.
A insistência de Lucas, contudo, convenceu o estúdio 20th Century Fox a financiar o projeto em 1974. O roteiro ganhou corpo, incorporou mitologia samurai, pitadas de western e efeitos práticos inovadores que a equipe de Industrial Light & Magic aperfeiçoou. O resto virou história — e bilheteria.
Vale a pena voltar ao documento original?
Para fãs interessados nas origens de Star Wars, o tratamento de 13 páginas é um retrato fascinante de um universo ainda cru. Ele comprova que até mesmo fenômenos culturais começam cheios de incertezas, algo que o HeroesBrasil adora revisitar quando fala de bastidores do entretenimento.
