Neverness to Everness chegou aos PCs e consoles no fim de abril e, em poucos dias, já cravou lugar de destaque entre os lançamentos de 2026. O RPG de ação em mundo aberto se tornou assunto não apenas pelo combate estiloso e pelo cenário urbano-fantástico, mas também pela suspeita de uso de inteligência artificial durante o desenvolvimento.
Após jogadores apontarem possíveis indícios de IA em pôsteres, outdoors e detalhes de fundo, a desenvolvedora Hotta Studio veio a público esclarecer a situação. A empresa reconhece que recorreu a ferramentas de IA, mas garante que o recurso ficou restrito a “um número pequeno” de elementos visuais de apoio.
Equipe admite uso limitado de IA em Neverness to Everness
Em comunicado oficial postado na conta de Neverness to Everness no X (antigo Twitter), Hotta Studio explicou que a IA generativa foi empregada na criação de alguns fundos e materiais ambientais. Dois exemplos citados pelo time são os assets do arco “Clear Skies in Summer” e do minijogo “Pink Paw Heist”.
Segundo o estúdio, esses conteúdos já estão sendo revisados manualmente para remover qualquer vestígio automatizado. O texto reforça que personagens, narrativa e design geral nasceram exclusivamente do trabalho de artistas humanos, algo que a equipe descreve com “orgulho” e “dedicação”.
Comunidade reage de forma dividida
A resposta dos fãs foi imediata. Parte da base considera irrelevante o uso pontual de IA, desde que não afete postos de trabalho nem a qualidade artística. Outros jogadores, porém, afirmam que só voltarão ao título quando todos os recursos automatizados forem substituídos.
Há ainda quem critique a falta de transparência pré-lançamento. Embora o produtor Yang Lei tenha comentado, meses atrás, que usaria IA para rascunhos atmosféricos, muitos sentiram que a informação não ganhou o destaque necessário. A discussão lembra polêmicas recentes envolvendo outros jogos e até experiências em plataformas como Roblox, onde conteúdos de fãs usam scripts e recursos externos — vide a busca constante por códigos em Black Grimoire para turbinar a jogatina.
Impacto potencial na trajetória do RPG
Apesar da controvérsia, Neverness to Everness mantém média 75 no OpenCritic e números robustos na Twitch: mais de 1,5 milhão de horas assistidas e pico de 98 mil espectadores no primeiro dia. Esses dados colocam o projeto como potencial rival de gigantes como Genshin Impact e Zenless Zone Zero.
Imagem: Divulgação
Quem acompanha a indústria lembra que a adoção de IA pode acelerar processos, mas também levanta temores sobre originalidade e empregos. Dependendo de como Hotta Studio conduzir a revisão prometida e a comunicação com a comunidade, o caso pode servir de referência para futuros lançamentos que pretendem equilibrar eficiência tecnológica e criação artesanal.
O que é Neverness to Everness
Ambientado na metrópole de Hethereau, o jogo coloca o player no papel do primeiro “Anomaly Hunter” sem licença. Integrado à loja de antiguidades Eibon, o protagonista investiga fenômenos sobrenaturais ao lado de parceiros excêntricos e habilidosos, mesclando mistério, humor e drama.
Além da campanha principal, o RPG oferece atividades secundárias como customizar veículos, decorar imóveis e explorar missões paralelas cheias de fofocas locais — desde um estúdio fotográfico reaberto até rumores sobre uma casa de penhores que surge apenas em noites de lua cheia. Essa combinação tem atraído fãs de animes e séries urban fantasy, público que também frequenta o HeroesBrasil em busca de novidades do universo geek.
Vale a pena ficar de olho?
Nunca faltou apelo para RPGs que misturam fantasia moderna, combate ágil e narrativa ramificada. Se Hotta Studio cumprir a promessa de revisar assets e manter diálogo aberto, Neverness to Everness tende a fortalecer sua posição entre os grandes títulos de 2026.
