Quase um século depois de ter escapado das mãos de Walt Disney, Oswald the Lucky Rabbit volta ao centro dos holofotes. O personagem, criado em 1927 e considerado o “irmão mais velho” de Mickey Mouse, vai protagonizar uma nova série na Disney+, comandada por Jon Favreau, criador de The Mandalorian.
A produção aposta em animação 2D tradicional e carrega o peso histórico de ser a primeira obra estrelada pelo coelho desde que a empresa readquiriu seus direitos em 2006. Entenda todos os detalhes do projeto que promete revolucionar o catálogo do streaming da companhia.
Oswald the Lucky Rabbit retorna após 99 anos
Oswald the Lucky Rabbit surgiu em 1927, fruto da parceria entre Walt Disney e Ub Iwerks. Em 1928, uma disputa contratual com a Universal Pictures tirou o personagem das mãos do estúdio do Mickey. O revés forçou Disney a criar um novo mascote — e assim nasceu Mickey Mouse.
Com a troca de favores orquestrada por Bob Iger em 2006, quando a Disney cedeu o comentarista esportivo Al Michaels à NBC Universal, Oswald voltou para casa. Desde então, participou apenas de curtas ocasionais, como o híbrido Once Upon a Studio (2023). A nova série marcará sua primeira produção de fôlego desde o retorno.
Produção liderada por Jon Favreau e SPA Studios
Durante entrevista ao veículo espanhol Moobys, Favreau confirmou o título Oswald the Lucky Rabbit e revelou que a animação está a cargo da SPA Studios, em Madri. O estúdio de Sergio Pablos, responsável pelo indicado ao Oscar Klaus, trabalha exclusivamente com desenhos feitos à mão, longe da estética 3D dominante.
Segundo o cineasta, “tudo é feito por artistas humanos, em 2D”, reforçando a intenção de homenagear a era clássica. A decisão dialoga com outras obras saudosas de animação tradicional que ainda encontram público, mesmo após a recente saída de Samurai Jack do streaming, movimento que evidenciou a carência de títulos desenhados quadro a quadro.
Por que a série pode quebrar paradigmas na Disney
A Casa do Mickey é conhecida por proteger sua propriedade intelectual a ferro e fogo, raramente perdendo ou readquirindo personagens. Contar a história de um ícone que passou 78 anos fora do guarda-chuva da companhia já é, por si só, um fato inédito. Trazer Oswald de volta como protagonista rompe a lógica interna do estúdio e mostra uma abertura para revisitar marcas esquecidas.
Imagem: Divulgação
Além disso, a aposta em animação 2D — após anos de foco quase exclusivo em CGI — indica uma tentativa de diversificar o portfólio do Disney+. A escolha pode inspirar revivals de outras produções clássicas que ficaram na gaveta, ao contrário do que ocorreu recentemente com o cancelamento do revival de Kim Possible.
Elenco híbrido e lançamento alinhado ao centenário
Prevista para chegar ao streaming em 2027 — ano que marca 100 anos da estreia do coelho —, a série será um híbrido de live-action e animação. Favreau confirmou os atores Ravi Cabot-Conyers, Mykal-Michelle Harris e Ryder Allen na parte em carne e osso. No núcleo animado, vozes conhecidas como Amy Sedaris, Steve Martin, Al Madrigal e Kathryn Hahn darão vida aos personagens.
O projeto corre em paralelo ao longa The Mandalorian & Grogu, primeiro esforço de Favreau para levar a saga do mandaloriano às telonas. Comento-o rapidamente para ilustrar a flexibilidade do cineasta, que transita entre o universo Star Wars e a animação clássica, agregando valor ao catálogo do Disney+ e, por tabela, ao ecossistema de cultura pop coberto pelo HeroesBrasil.
Vale a pena esperar por Oswald the Lucky Rabbit?
Quem acompanha a trajetória da Disney, gosta de bastidores da indústria e sente falta de animações 2D tem bons motivos para ficar atento. O retorno de Oswald the Lucky Rabbit combina resgate histórico, mão de obra artística tradicional e a experiência de um showrunner acostumado a entregar sucessos no streaming.
