Nem todo dia surge um “campeão” unânime de críticas negativas que, ainda assim, consegue prender a atenção do público. Pois é exatamente isso que está acontecendo com Battlefield Earth, longa de ficção científica que acaba de entrar de graça no catálogo do Tubi.
O filme estrelado por John Travolta virou sinônimo de desastre no início dos anos 2000, mas, quase um quarto de século depois, retorna ao radar como curiosidade cult. A seguir, o HeroesBrasil explica como a produção nasceu, por que ela ganhou a fama de tão ruim e o que mudou agora que o título pode ser visto sem custo.
Origem ambiciosa e produção turbulenta
Baseado no livro de 1982 escrito por L. Ron Hubbard, Battlefield Earth começou a ser negociado ainda na década de 1980. A adaptação só ganhou fôlego em 1994, quando Travolta ressurgiu em Hollywood graças a Pulp Fiction e decidiu bancar o projeto pessoalmente.
A indepedente Franchise Pictures topou a empreitada em 1998. Travolta investiu milhões do próprio bolso, vendeu a ideia como um épico futurista e deu início às filmagens em 1999. O plano original previa dois filmes, porém o orçamento apertado obrigou a concentrar metade do livro em um único roteiro.
Enredo: humanos versus Psychlos no ano 3000
A história se passa mil anos após a invasão da Terra pelos Psychlos, raça alienígena que escravizou os humanos e esgota os recursos do planeta. Nesse cenário, o protagonista Jonnie Goodboy Tyler lidera uma revolta para retomar o controle do planeta, recuperar conhecimento perdido e, de quebra, colocar as garras alienígenas na mira de aviões de combate e ogivas nucleares.
Em tese, o plot mistura ação, aventura e crítica social. Na prática, a execução ficou comprometida por cortes de roteiro, caracterização questionável e, sobretudo, efeitos visuais que envelheceram já na estreia. O resultado? Um dos 7 filmes de ficção científica ruins mais lembrados por fãs do gênero.
Como o longa ganhou fama de desastre
Quando chegou aos cinemas em 2000, Battlefield Earth arrecadou pouco mais de US$ 29 milhões mundialmente, valor bem inferior ao orçamento estimado em US$ 73 milhões. Especialistas criticaram o roteiro confuso, as atuações exageradas e o uso excessivo de filtros esverdeados que deixavam tudo com aparência de videogame antigo.
Imagem: Nicole Drum
No entanto, a verdadeira “magia” do filme é que ele abraça seus próprios defeitos. A narrativa cresce em absurdos: personagens que aprendem a pilotar jatos antigos em dias, armas nucleares guardadas intactas por séculos e um vilão que gargalha em ângulos inclinados o tempo todo. É justamente essa combinação de exagero e falhas técnicas que mantém o interesse de quem gosta de analisar fracassos cinematográficos.
Streaming gratuito reacende a curiosidade
Até então, Battlefield Earth ficava restrito a DVDs fora de catálogo ou serviços de aluguel digital. O panorama mudou este mês, quando o Tubi liberou o longa gratuitamente (com anúncios) em seu acervo. A acessibilidade despertou novos olhares: quem nunca arriscou o play agora só precisa de uma conta básica para descobrir se o filme é tão ruim quanto dizem.
O movimento segue uma tendência de plataformas apostarem em títulos “cult trash” para aumentar o engajamento. Em abril, por exemplo, vários streamings chamaram atenção ao oferecer filmes de fantasia gratuitos de qualidade duvidosa, mas capazes de gerar conversa nas redes sociais.
Vale a pena assistir?
Se você busca uma produção impecável, a resposta é não. Entretanto, para quem gosta de acompanhar deslizes históricos de Hollywood, rir de diálogos constrangedores e entender como um projeto tão ambicioso deu tão errado, Battlefield Earth virou programa obrigatório — ainda mais agora que não custa nada.
