Uma das maiores vitórias comerciais da Nintendo na década passada, o Wii e o DS, simplesmente sumiram da Amazon por um período considerável. A decisão, tomada no auge das vendas, sempre pareceu estranha para quem acompanhava o mercado.
Agora, Reggie Fils-Aimé, ex-presidente da Nintendo of America, detalhou o bastidor: a empresa cortou relações com a varejista após receber propostas que ele classificou como ilegais e obscenas. O executivo falou sobre o episódio durante palestra transmitida pelo NYU Game Center.
Como começou a remoção do Wii e DS da Amazon
Segundo Fils-Aimé, o impasse surgiu em meados dos anos 2000, quando a Amazon intensificava sua presença em games e desejava derrubar os preços praticados pela concorrência. Um alto executivo da varejista pediu “um apoio financeiro absurdo” para baixar ainda mais o valor de consoles e jogos, mirando diretamente o domínio das lojas físicas da Walmart.
O ex-chefe da Nintendo ficou alarmado: ceder a esse subsídio quebraria acordos firmados com outros parceiros de venda. Para evitar problemas de concorrência desleal, ele decidiu não negociar. Resultado: Wii e DS, dois fenômenos que popularizaram controles de movimento e tela sensível ao toque, deixaram de ser oferecidos pela gigante do e-commerce.
Exigências consideradas ilegais por Reggie Fils-Aimé
Durante a palestra, o executivo relatou que as condições impostas eram incompatíveis com a legislação antitruste dos Estados Unidos. “Não ia fazer algo ilegal nem arriscar nosso relacionamento com outros varejistas”, relembrou. O posicionamento firme serviu, ainda, para mostrar que a Nintendo não seria manipulada por pressões comerciais.
A atitude de Reggie teve impacto imediato, mas não reduzido às prateleiras on-line: mesmo sem o canal de vendas da Amazon, os consoles continuaram voando das lojas. Foi o momento de reafirmar a força da marca, algo semelhante ao que acontece quando determinadas franquias, como o próximo Call of Duty, decidem abandonar plataformas antigas para manter a estratégia de mercado.
A reconciliação veio com a preparação do Switch
Anos depois, já nos estágios avançados de desenvolvimento do Nintendo Switch, as duas empresas voltaram à mesa de negociação. Fils-Aimé conta que, naquele momento, a Amazon estava pronta para dar suporte ao novo console sem repetir antigas exigências. O resultado foi a reabertura do canal de vendas pouco antes do lançamento em 2017.
Imagem: Divulgação
Desde então, produtos da companhia japonesa voltaram a figurar entre os mais buscados no marketplace. A parceria até impulsionou itens de colecionador, semelhantes ao fenômeno do novo Steam Controller que esgotou em minutos. Para o público de HeroesBrasil, fica claro como as relações comerciais podem moldar a disponibilidade de consoles e, por consequência, influenciar toda a comunidade gamer.
Números que sustentaram a decisão da Nintendo
Mesmo sem a vitrine da Amazon por um intervalo considerável, o Wii encerrou sua vida útil com mais de 101 milhões de unidades vendidas. Já a família DS atingiu 154 milhões, somando edições Lite e DSi. Esses resultados só foram superados pela linha Switch, hoje acima de 155 milhões de consoles despachados mundialmente.
Os dados comprovam que a retirada temporária não freou o interesse do público. Pelo contrário: mostrou que a Nintendo mantinha poder de barganha suficiente para desafiar até o maior varejista on-line do planeta.
Vale a pena revisitar a polêmica?
O episódio ilustra como estratégias comerciais podem afetar diretamente quem procura consoles e jogos. Saber por que Wii e DS foram removidos da Amazon ajuda a entender a dinâmica entre fabricantes e varejistas, além de mostrar que, às vezes, proteger acordos e evitar práticas ilegais fala mais alto que ampliar canais de venda.
