Antes de Robert Downey Jr. vestir a armadura de Tony Stark, a Marvel já tinha se aventurado nos cinemas. Quase ninguém lembra, mas a largada oficial aconteceu em 1986 com um pato falante, charuto em bico e vontade de salvar o mundo.
Quatro décadas depois, Howard o Pato permanece como o primeiro filme da Marvel em live-action e ainda captura a curiosidade de fãs de animes, games, filmes e séries. A seguir, confira como nasceu essa obra peculiar, por que ela é lembrada como um delírio coletivo e de que forma o personagem ainda aparece no Universo Cinematográfico Marvel.
Quem é Howard o Pato e por que ele virou filme?
Criado por Steve Gerber e Val Mayerik nos quadrinhos de 1973, Howard vem de um planeta habitado por aves humanóides. O roteiro do longa colocou o herói em Cleveland após um raio laser cósmico puxá-lo para a Terra. Produzido por George Lucas e dirigido por Willard Huyck, o projeto apostou em atores dentro de fantasias, animatrônicos e marionetes.
A ideia de adaptar o personagem surgiu durante o boom de filmes de aventura dos anos 80, período que também acelerou franquias como Star Wars — que, aliás, mudou de ritmo e concentrou quase 90% do seu conteúdo nos últimos 16 anos segundo levantamento. O objetivo era expandir o catálogo da Marvel para além das páginas, testando o potencial de propriedades menos óbvias.
Os elementos mais estranhos do primeiro filme da Marvel
Nada no filme parece convencional. Howard, de pouco mais de 80 cm, divide cena com humanos em sequências cheias de humor físico. O romance entre o pato e a cantora Beverly Switzler (Lea Thompson) rende alguns dos momentos mais comentados da cultura pop: há insinuações de intimidade e até uma cena deles na mesma cama.
O antagonista também foge do padrão. O Lorde das Trevas possui o corpo do cientista Dr. Jenning, transforma o visual do personagem em algo cadavérico e dispara raios pelos olhos. A combinação de terror leve e comédia pastelão fez o longa ser comparado a um sonho febril por parte da crítica.
Participações de Howard no MCU moderno
Mesmo com recepção fria em 1986, o herói voltou aos holofotes graças a participações especiais. Ele aparece rapidamente em Guardiões da Galáxia, preso à coleção do Colecionador, e surge novamente em Vingadores: Ultimato durante a batalha final contra Thanos.
Imagem: Liz Declan
Na TV, Howard ganha mais tempo de tela na animação What If? O episódio “E se Howard o Pato casasse?” mostra o personagem namorando Darcy Lewis, reforçando a veia cômica. A exposição do personagem em curtas aparições confirma a fala do dublador Seth Green: ele funciona melhor em doses pequenas, algo que ecoa a estratégia de participações menores de outros vilões, como o Capitão América variante rumor em Avengers: Doomsday.
Chance de um novo longa solo?
Perguntado sobre a possibilidade de um reboot, Seth Green declarou que não há planos concretos de colocar Howard como protagonista de um filme próprio no MCU. Segundo o ator, a melhor utilidade do personagem é roubar a cena em momentos surpresa, estratégia que o estúdio vem mantendo.
Com isso, quem deseja ver Howard liderando uma história completa continua tendo como única opção o título de 1986. No cenário atual, o Pato segue restrito a camafeus e participações em animações, padrão que também atinge outras figuras cult do catálogo da Marvel.
Vale a pena assistir hoje?
Para quem estuda a evolução do primeiro filme da Marvel ou gosta de produções cult, Howard o Pato permanece como curiosidade histórica. A obra resume uma época experimental do estúdio e ajuda a entender por que a Marvel adotou, anos depois, a fórmula testada em Homem de Ferro para construir o MCU que conhecemos.
